Consultório de Psicologia - Psicobh

Consultório de Psicologia - Psicobh Psicóloga: Fernanda Nogueira - Terapia individual, Terapia infantil, terapia de casal.

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04/01/2017

Mudanças para 2017, vamos começar a refletir.

(Tirania interna X Reconhecer o seu valor)

Na prática clínica, na vida familiar, entre amigos e comigo mesma, tenho percebido o quanto somos exigentes e tiranos de nós mesmos. Nunca somos bons o suficiente, sempre temos que melhorar cada vez mais e fazer mais coisas para sermos amados pelo outro.

Vejamos algumas dinâmicas que favorecem a construção da nossa tirania interna.

Ela pode ser um reflexo da nossa criança interior ferida. Quando crianças, nossas expectativas de amor frustradas se transformam em culpa, ou seja, entendemos que não conseguimos o amor que gostaríamos por causa de termos algum defeito, algum problema que afasta, enraivece ou amedronta o outro. Sendo a culpa algo nosso, passamos a nos cobrar e exigir demasiadamente melhorias fantasiosas, a ser uma pessoa que não somos. Mas como o outro não corresponde o amor idealizado que sonhamos, continuamos na falta e a nos exigir mais. Assim, o pequeno/pequena tirano interno toma nossas vidas e nossos relacionamentos, afastando o amor que tanto desejamos viver.

A tirania também pode ser uma repetição de padrões familiares. Alguns filhos podem se identif**ar com pais muito exigentes e cobradores. Esses filhos desde cedo passam a se esforçar ao máximo para conseguir se adequar às expectativas familiares. Esse estilo de pais nem sempre reconhece e valoriza a conquista, mas enfoca os erros e o que precisa melhorar, enxergando sempre o que falta. Crescendo num ambiente assim, podemos internalizar que não somos bons o suficiente e que precisamos fazer sempre mais.

Uma terceira dinâmica criadora de tiranos internos acontece em famílias onde os filhos se sentem muito desamparados. Nessas famílias os pais não conseguem oferecer a segurança material e emocional para que seus filhos cresçam confiantes em si e na vida. Os filhos “amadurecem” rápido, na verdade se tornam velhos emocionalmente, e tentam controlar a própria realidade para não sofrer. Muitas vezes sobem na hierarquia e se tornam pais dos pais, tentando corrigi-los e ensiná-los a serem melhores. É uma contrarreação ao desamparo. Ao viver num contexto assim, podemos f**ar muito rígidos e tiranos conosco para dar conta do tamanho peso de ser adultos fora do tempo e de cuidar da própria família sem perder o controle de uma situação que já é sentida como caótica.

Com uma ou mais de uma dessas dinâmicas internalizadas - que não esgotam todas as possibilidades - podemos nos sentir sempre em débito, pois nada do que façamos irá conquistar o amor do outro, ou fazer o outro nos reconhecer ou nos fazer sentir seguros internamente.

O ponto em comum dessas dinâmicas é que buscamos algo fora de nós mesmos: amor, reconhecimento e segurança. Ao buscar esses elementos fora, f**amos a mercê do outro, dependentes e carentes. Se não recebemos o que desejamos, f**amos frustrados e despejamos nossa raiva nos nossos parceiros e demais relacionamentos.

É necessário fazer um giro de referência, ou seja, deixar de buscar fora para encontrar dentro. Amor, reconhecimento e segurança são possíveis de serem construídos internamente e somente quando conseguimos realizar essa façanha, é que a nossa tirania interna diminui ou se esvai.

Amar – gostar de, e respeitar a nós mesmos como somos, independente dos defeitos que possuímos e das melhorias que queremos implementar. Aceitar o que já somos e conseguimos construir, sem cobrar o que ainda não alcançamos.

Reconhecer – valorizar nossos esforços mesmo quando eles não dão o resultado desejado. Enxergar o nosso valor, que é de graça, sem precisarmos fazer algo mirabolante para sermos valiosos.

Segurança – acreditar no próprio potencial, na própria capacidade de aprender e de batalhar pelos desejos e sonhos. Ter fé que a vida está nos oferecendo as experiências que precisamos para nosso aprendizado e que na medida que vamos buscando coerência e consistência os retornos e resultados virão como consequência de nosso esforço e investimento em nós mesmos.

Nossa dependência do outro muitas vezes nos faz infelizes e miseráveis mendigos de amor. A tirania interior é uma consequência de um profundo sentimento de inadequação e de uma tentativa de encaixarmos num formato idealizado por nós mesmos e pela nossa fantasia sobre o que o outro deseja em nós. A maior liberdade é a permissão de sermos nós mesmos e a permissão de não sermos amados pelo outro.

Bom dia.
15/04/2016

Bom dia.

15/04/2016

Amor de verdade a gente conserta e não joga fora...

Considerado o “Poderoso Chefão” dos sentimentos, todo mundo quer encontrar o grande amor. Mas, ao mesmo tempo, ninguém quer dividir tristezas e
desilusões, sentir as incansáveis dores físicas, passar por torturas psicológias ou f**ar noites sem dormir. Ninguém quer ter que aguentar o outro de mau humor, suportar as diferenças, compartilhar e ceder.

As pessoas querem mesmo é viver apaixonadas, curtir aquele desejo e vontade de fazer s**o todas as noites, tomar sol em uma casa de veraneio na praia ao som dos pássaros cantando e viver o sonho da família Doriana. Por isso, os amores de hoje são tão descartáveis. A cada esquina se acha alguém para se apaixonar, mas ninguém para amar. Cadê as pessoas que estão dispostas a suportar, no dia a dia, as imperfeições e que estão afim a criar problemas e, depois, resolvê-los juntas?
Está tão clichê dizer eu te amo e fazer amor (que nem pode mais se chamar de amor), que andar de mãos dadas não reflete companheirismo e um elo, mas sim, só mais duas mãos e alguns passos, que podem seguir separados. O que mais me impressiona não é nem o fato do “felizes para sempre” estar quase que em extinção, mas a coragem que as pessoas têm de, quando não conseguirem fazer as coisas darem certo e enfrentarem dificuldades juntas, se consolarem com o simples “Não era pra ser…”. Porque afinal, a culpa toda é do destino.

Fiquei pensando na quantidade de coisas na vida que deixamos passar por falta de força de vontade. Com o amor é assim. Não queremos unir o azul, o amarelo, o verde, o branco e o vermelho, queremos só o vermelho e pronto. Mas para tudo e todo tipo de amor, sejam entre homens e mulheres, amigos e familiares é preciso de uma união de cores, sentimentos e mais do que isso, paciência. Tudo precisa se encaixar no lugar certo. Só que nós precisamos fazer nossa parte para que isso aconteça. Tentar, quem sabe?

Muitas vezes nos contentamos em amar pela metade só porque achamos que felicidade é se manter apaixonado, sempre. Paixões são instantâneas. Isso vai e vem. São lindas, concordo, e fragmentos do amor, mas, meu caro, apesar de estourar fogos de artífico no seu estômago infelizmente não durarão por uma vida inteira.

Não é só somando alegrias e momentos bonitos que se ama, é no meio da turbulência que se descobre o verdadeiro amor. Tem uma frase de Clarisse que eu adoro que diz o seguinte: “Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.” E acho que isso resume tudo. Paixão e carinho caminham juntos, mas para amar precisa-se de muito mais.

22/02/2016

E sua saúde mental, como anda?

Você cuida do seu corpo? Faz exercícios físicos? Tem uma alimentação saudável? Visita o médico com frequencia? Faz exames regularmente? Se sua resposta for sim à maioria dessas perguntas, você está no caminho certo e deve continuar agindo dessa forma. Mas… e a saúde emocional, como está?

Saúde mental implica muito mais que a ausência de doenças mentais. Está relacionada à forma como o individuo reage às exigências da vida e ao modo como harmoniza seus desejos, capacidades, ambições, idéias e emoções. Ela não deve ser deixada em segundo plano e é tão importante quanto a saúde física. Quando a mente não está bem, consequentemente o corpo sofre e é atingido. Por isso, se você não está cuidando de sua saúde emocional, passe a refletir sobre isso.

Uma das formas de cuidar da saúde emocional é buscar ajuda psicológica. O problema é que muitas pessoas f**am resistentes em experimentar a psicoterapia, por desacreditar ou desconhecer. Sentem-se envergonhadas, acham que buscar ajuda de um profissional seja um sinal de fraqueza, que tome tempo e custe caro demais. Ou ainda, acreditam que para fazer terapia, é necessário estar em profundo sofrimento psíquico. O que poucos sabem é que o ideal seria não esperar chegar a tal ponto para iniciar o tratamento, pois do mesmo modo em que fazemos exames periódicos para prevenir nossa saúde física, também devemos nos preocupar com nossa saúde mental e tudo que é afetado por ela, evitando assim, possíveis problemas que possam evoluir no futuro. Assim como não se deve esperar que seja constatada uma doença física para procurar um médico, não se deve procurar um psicólogo somente quando a situação já estiver saído do controle.

Há muitos motivos que fazem uma pessoa procurar ajuda psicológica. Por vezes, o indivíduo não é capaz de resolver seus problemas sozinho e, por isso, necessita da ajuda de um psicólogo que, através de sua técnica, irá auxiliá-lo a pensar em formas para resolver seus conflitos de um modo mais saudável. O psicólogo também pode ajudar o indivíduo a lidar melhor com suas emoções, a aprender novas maneiras de pensar e se comportar, a melhorar o relacionamento consigo mesmo e com as pessoas ao seu redor, a desenvolver seus aspectos positivos, a aliviar o sofrimento emocional, a superar medos e limitações e a aceitar o que o individuo não pode mudar. Outras vezes o ser humano procura ajuda psicológica pelo simples alívio em poder ter alguém para compartilhar sua história de vida e seus sofrimentos, bem como para se conhecer melhor.

O importante é que, quando alguém chega à conclusão de que é hora de procurar ajuda, busque um profissional formado e com inscrição ativa no Conselho Regional de Psicologia. Também é de fundamental importância que o paciente esteja comprometido com a mudança e que tenha consciência de que a evolução e término do tratamento dependerão de seu problema, de sua cooperação e da forma como evolui com o tratamento.

Se a sua saúde emocional não é tão sólida como você gostaria que fosse, pense nas coisas que estão impedindo que ela seja dessa forma. Assim como você pode melhorar o seu condicionamento físico, fazendo exercícios e mudando seus hábitos alimentares, você também pode melhorar a sua aptidão emocional.

Para finalizar, gostaria de refletir junto com vocês: Como anda sua vida emocional? Como está seu emprego? Como estão seus estudos? Como estão seus relacionamentos? Como está sua vida social? Em que área de sua vida você tem se dedicado mais? O que te impede de ser feliz?

O Fim do ciclo e a dificuldade do desapego. Agora chega! Você já sofreu o suficiente, matou no peito as dores mais corro...
08/09/2015

O Fim do ciclo e a dificuldade do desapego.

Agora chega! Você já sofreu o suficiente, matou no peito as dores mais corrosivas possíveis, seu coração bateu feito um tambor por semanas, gritou por dentro incessantemente como um bebê recém-nascido. Você chegou ao limite e daqui não poderá passar.
Tornar consciente a necessidade de aproveitar as coisas que a vida lhe ofereceu foi uma espécie de mantra que você repetiu diariamente. O momento era o agora e o amanhã independia da sua vontade. Você foi corajoso, hedonista e por isso viveu coisas que outras pessoas não poderiam sequer sonhar. Laçou o seu desejo mais íntimo e o transformou em realidade. Viveu a ficção. Saiu da zona de conforto e de possibilidades. Sentiu-se no controle absoluto, segurou firme nas rédeas da vida e se convenceu de que o seu futuro estava nas suas mãos. Não foram poucas vezes em que sofreu dissabores que se converteram em lágrimas, mas nesse jogo ganha-ganha-perde-perde da vida o seu bônus era maior que o ônus. Inclusive essa foi a razão pela qual você chegou até aqui.
Mas agora acabou. O ciclo fechou. A roda girou. E você está com o pescoço virado para trás, incrédulo de que o presente recente já se converteu em passado. Ainda ontem era presente. Uma semana, um dia, uma hora. Na verdade você não sabia que as coisas acabariam assim tão inesperadamente. Ou talvez soubesse, mas não estava preparado para encarar a realidade no seu aspecto mais nevrálgico. Você sabia que nada dura para sempre. Mas e se com você fosse diferente? Mas e se acabasse e você não f**asse tão mal? E se a vida realmente não fosse esse monstro de cinquenta cabeças que agora ela parece ser?
E se... você definitivamente pudesse se desvencilhar daquilo que passou e, por fim, conseguisse abrir a janela e olhar a beleza do que há lá fora? E se você descobrisse que o sol está logo ali e que você já está pisando na estrada que te levará para o mais inesquecível dos verões?
Não.
Não é fácil “desviver” o já vivido. Zerar a conta. Pedir uma nova rodada. Colocar em prática a velha balela de que o presente deve se construir sobre o passado. Viver é para os fortes e você é um deles. Se já chegou até aqui, provavelmente não morrerá disso. Talvez lhe doa entender que o ciclo fechou, mas amanhã (eu prometo, amanhã) se dará conta que o ciclo não se fechou coisíssima nenhuma. O que aconteceu foi que outro ciclo se abriu. Você lembrou que não é a primeira vez. Que já passou por baques mais fortes. Mas você já está na estrada novamente. Um pouco debilitado, como todo bom soldado que volta da guerra. Mas está em pé. Pronto para começar uma nova jornada com destino.

06/08/2015

5 comportamentos característicos da intoxicação emocional:

A intoxicação emocional é causada por conflitos pessoais e emocionais que afetam diretamente nosso bem-estar físico e psicológico, tornando-nos vulneráveis e causando sintomas como irritabilidade, depressão, instabilidade emocional, fadiga…

A intoxicação emocional é a consequência de não nos darmos um tempo diariamente para cuidar do nosso interior.

Quais comportamentos indicam que estou emocionalmente intoxicado?

É provável que você esteja sob a influência da intoxicação emocional e ainda não tenha percebido. Portanto, o que você precisa fazer é prestar atenção aos seus comportamentos desagradáveis e às situações difíceis de lidar.

Muitas vezes, temos atitudes que obscurecem a nossa percepção e nos tornam muito reativos. Nos deixamos levar pelas emoções e não conseguimos ver a situação como ela realmente é.

Listo abaixo 5 tipos de comportamentos que demonstram que a pessoa está intoxicada emocionalmente.

1- Estar sempre na defensiva:

Uma pessoa sob a influência da intoxicação emocional está em “modo autoproteção”, e interpreta as ações e palavras das outras pessoas como agressões.

Distorce as palavras e tira as suas conclusões conforme o seu estado emocional. Ela se sente muito vulnerável e as suas inseguranças controlam a sua vida. Sua autoestima está baixa e ela f**a na defensiva diante de qualquer acontecimento.

Suas emoções a bloqueiam completamente e limitam a sua capacidade de entendimento e de pensar com clareza. Isso faz com que. muitas vezes, reaja com agressividade para se proteger de danos emocionais, que certamente só existem na sua imaginação.

2- Ser excessivamente crítico:

É difícil lidar com uma pessoa intoxicada emocionalmente, pois ela cria uma barreira de intransigência para ela mesma. É extremamente crítica com os outros e consigo mesma.

Relaxe e tente ser mais benevolente com você mesmo, com a vida e com as outras pessoas.

3- Fechar-se emocionalmente:

Muitas vezes, nos damos conta de que estamos muito frágeis e emotivos, então nos fechamos no nosso mundo para nos protegermos dos nossos próprios sentimentos.

É por isso que, quando uma pessoa se sente oprimida e sobrecarregada, não tem energia para enfrentar os desafios do dia a dia. Esta é a consequência de ter o cérebro inundado pelas nossas emoções; não conseguimos pensar com clareza e f**amos travados.

4- Condenar, insultar ou desprezar os demais:

As pessoas intoxicadas emocionalmente podem se tornar agressivas e perigosas, pelo fato de estarem sempre na defensiva e lutar com unhas e dentes por uma causa em que acreditam.

Por causa do bloqueio emocional, não são capazes de avaliar de forma sensata as pessoas a sua volta.

Além disso, eles têm dificuldade de ter empatia com os demais, pois estão cheios de emoções negativas. Podem se culpar e condenar a si mesmos, projetando seus medos e frustrações nos outros como uma forma de fuga e libertação.

5- Autossabotagem:

A vida de uma pessoa intoxicada por suas emoções é muito difícil; mais difícil ainda é avançar e não boicotar o seu progresso para atingir seus objetivos.

A única maneira de superar esse desejo de suicídio pessoal é nos tornarmos conscientes de que existe algo dentro de nós que alimenta o medo de atingirmos nossos objetivos.

Temer o sucesso tem a ver com a nossa incapacidade de tolerar as incertezas. Não confiamos na nossa capacidade de aceitar a vida como ela se apresenta. Só há uma pessoa neste mundo que vai impedir seu progresso, e essa pessoa é você mesmo. Acabe com os seus medos.

Como lidar com a intoxicação emocional:

Precisamos de tempo para nos desintoxicarmos. É como ingerir muito álcool e ter um período de ressaca. A ressaca emocional se caracteriza pela culpa, raiva, insônia, tristeza…

Não se preocupe. A identif**ação de seus comportamentos e emoções demonstra que você já iniciou o processo de recuperação. Pare de “beber emoções negativas” e comece o processo de limpeza emocional. Os sintomas desaparecem e seus sentidos voltarão ao normal.

O fundo do poço pode ser um retiro existencial! Temos medo do fundo do poço.Temos medo de chegar ao fundo do poço e, mai...
29/05/2015

O fundo do poço pode ser um retiro existencial!

Temos medo do fundo do poço.

Temos medo de chegar ao fundo do poço e, mais do que isso, temos medo de f**armos estagnados no fundo do poço. Vivemos tentando evitar chegar nele porque existe uma consciência comum de que quem o alcança não sairá dele tão facilmente. Será?

Mas o que é o fundo do poço?

Temos tanto medo dele que até evitamos pensar nele. Para mim, chegar ao fundo do poço pode ser uma desistência em massa. Uma parada brusca, uma desaceleração. Um intervalo. Uma necessidade de voltar ao ponto zero e f**ar ali por um tempo.

Chegar ao fundo do poço pode ser um cansaço que vem se acumulando na alma e cavando um buraco fundo onde são depositados aqueles sentimentos que não tivemos tempo de encarar e lidar na nossa alucinada maratona de matar um leão por dia.

O fundo do poço é um depósito de nós mesmos, um porão que nunca entramos, onde vamos jogando tudo aquilo que ainda não pudemos nos desfazer e desapegar, tudo aquilo que deixamos pra pensar e resolver depois. Todos aqueles sentimentos ‘inúteis’ e ‘feios’, que se f**arem habitando cotidianamente nossa alma, nos travam o rápido caminhar. Então tomamos a decisão mais fácil, tira-los da vista. Vão para o porão da alma, vão para o fundo do poço.

Ninguém quer chegar ao fundo do poço, ninguém quer passar um bom tempo no fundo do poço, ninguém quer mostrar ao mundo seu fundo do poço. A vida é tão curta, queremos mostrar ao mundo o que em nós é jardim e casa arrumada, os ambientes sorridentes, bem iluminados e arejados, festivos. Aprendemos desde cedo a cimentar os nossos próprios porões, a trancar a sete chaves e esquecer o acesso. Temos vergonha de dar qualquer pista de que estamos perto do fundo do poço e temos pavor de pensar em perder algum tempo de vida nesse lugar mofado, escuro, cheio de entulhos e fantasmas.

Se por qualquer motivo, a vida traz à tona nosso fundo do poço, nossa primeira reação é querer disfarçar e sair dali o quanto antes. Queremos pegar impulso e voltar para a nossa incessável engrenagem diária, voltar a nos encaixar, voltar a sermos bonitos, bem resolvidos, como todo mundo. Queremos recuperar o equilíbrio.

Por que temos tanto medo do fundo do poço?

Temos medo do desconhecido, queremos percorrer apenas as estradas mapeadas. Ao invés de tentarmos sermos mais humanos, empáticos, profundos com esses nossos lados, fingimos que eles não existem. Marginalizamos o que em nós é obscuro e insólito. Tudo que é desconhecido nos causa medo. Não queremos sentir medo e nem causar medo. Então seguimos nas nossas velhas estradas rasas e pavimentadas.

Temos medo também do nosso próprio silêncio. Falamos muito de tudo e de todos o tempo todo para não deixarmos nosso pensamento escutar os ecos de nossa alma. Sabemos falar sobre tudo, mas não sabemos expressar o que em nós é grande e misterioso. E no nosso fundo do poço, o silêncio grita. E temos medo de escutá-lo. Temos medo das verdades que nossos silêncios trazem.

Além disso, temos medo de mostrar ao mundo que estamos no fundo do poço. Não aceitamos admitir que não queremos mais participar da maratona de matar um leão por dia, que fraquejamos, que perdemos, que estamos frustrados, que precisamos de um bom tempo sozinhos para processar e limpar o velho porão cheio de sentimentos mofados e mal cheirosos que se não forem organizados em algum momento, deteriorarão nossa alma. Temos vergonha social de admitir nosso fundo do poço.

E, finalmente, temos medo também de nunca mais sairmos dele. Temos medo de não conseguirmos voltar, de não termos forças para enfrentar tudo, temos medo de f**armos para trás, de perdermos tempo, e de perdermos a vida. Presos e estagnados num porão que parou no tempo.

Temos tantos medos!

Engraçado, temos medo de perder tempo e de perder a vida. Mas, perder um pedaço do que somos realmente, mesmo que feio, mesmo que sombrio, é viver por inteiro?

Queremos seguir a vida apenas com nossas vitórias estampadas na nossa fachada.

Ao encobrir nosso fundo do poço, enganamos o mundo, mas ele continua grande e profundo em algum esconderijo de nós mesmos.

É… mas e se aceitamos f**ar um tempo no fundo do poço?

E se olharmos para os medos e aprendermos a encarar a nós mesmos de frente? E se concordarmos em permanecer quietos e silenciosos despois que tudo se esgotou (amor, trabalho, dinheiro)? E se ao invés de sairmos correndo procurando outro amor, trabalho, dinheiro, esperarmos um pouco, escutarmos o silêncio?

E se ousarmos usar o fundo do poço para fazer um retiro existencial? Quase como um templo de meditação, fecharmos as janelas para o mundo e tentarmos ouvir essas versões clandestinas de nós mesmos.

E se aprendermos a aceitar o que em nós parecia inaceitável?

Já que o fundo do poço é onde tudo se esgotou, não temos mesmo nada mais a perder. Então nos demoremos um pouco nele!

Pode ser que percebamos que o que eram fantasmas aterrorizadores são, na verdade, uma grande parte do que nos constitui.

Sair rapidamente do fundo do poço pode signif**ar voltar para o mesmo velho caminhar. E tudo pode tornar a f**ar razoavelmente bem, na medida em que continuarmos nos equilibrando entre cavar e camuflar buracos.

Ficar um tempo no fundo do poço pode signif**ar encontrar riquezas escondidas, mapas de tesouro, caminhos alternativos e verdades ocultas. E aí poderemos voltar a superfície sem ajuda de escadas e esforços de impulsos, porque teremos desenvolvido asas.

"Amar, dizia Lacan, é dar o que não se tem."O que quer dizer: amar é reconhecer sua falha e doá-la ao outro, colocá-la n...
01/04/2015

"Amar, dizia Lacan, é dar o que não se tem."
O que quer dizer: amar é reconhecer sua falha e doá-la ao outro, colocá-la no outro. Não é dar que se possui, os bens, os presentes: é dar que não possui, que vai além de se mesmo. Por isso, é preciso se assegurar da sua falta, de sua "castração" como dizia Freud.
https://www.psicologiamsn.com/…/amor-psicanalise-alain-mill…

Jacques-Alain Miller é um importante psicanalista franc…

Todos nós já tivemos, de uma maneira ou de outra, experiências difíceis na vida. Isto faz parte de nossa viagem por esta...
11/02/2015

Todos nós já tivemos, de uma maneira ou de outra, experiências difíceis na vida. Isto faz parte de nossa viagem por esta Terra – e embora muitas vezes pensamos que “as coisas podiam ter acontecido de outra maneira” - o fato é que não podemos mudar nosso passado.
Por outro lado, é uma mentira pensar que tudo que nos acontece tem o seu lado bom; existem coisas que deixam marcas muito difíceis de superar, feridas que sangram muito.
Como, então, nos livrarmos de nossas experiências amargas?
Só existe uma maneira: vivendo o presente. Entendendo que, embora não possamos mudar o passado, podemos mudar a próxima hora, o que acontecerá durante à tarde, as decisões a serem tomadas antes de dormir.
Como diz o velho provérbio hippie: “hoje é o primeiro dia do resto da minha vida”

21/05/2014

Você ainda perde tempo e foco com os "nãos" pelo caminho?
Não existe caminho sem a caminhada!
Avance!

William Sanches

21/05/2014
21/05/2014

A FALSA HARMONIA DOS CASAIS - DOIS LADOS DA MESMA MOEDA

A complementaridade, assim como a simetria - é outro padrão comunicacional, onde a diferença é a característica principal das relações estabelecidas. Diferença esta que é marcada por polaridades, cada parceiro assumindo um pólo na relação.
Possui dinâmicas como: dominador-dominado; opressor-oprimido; autoritário-submisso, pai-filha; mãe-filho; responsável-irresponsável; dependente-codependente, etc.

A doença desse padrão de comunicação é a complementaridade rígida, que é determinada pela vivência de papéis relacionais cristalizados no seu pólo de referência principal. Relembrando, a saúde comunicacional seria quando o casal transita em ambos padrões, complementares e simétricos, dinamicamente, de acordo com a necessidade do contexto.

Geralmente o padrão complementar é corroborado pela cultura de gênero, religiosa e familiar, na medida em que estas estabelecem papéis rígidos e bem delimitados para homens e mulheres. E assim podemos nos identif**ar e nos manter leais a este tipo de funcionamento consciente e inconscientemente.

Nas relações complementares cada parceiro assume seu papel porque sua própria crença, construída em sua história de origem, lhe permite. Digo isto porque muitas vezes parecerá que o oprimido, o dominado, o codependente são vítimas, mas eles são corresponsáveis por f**arem nessa posição na relação. Podem possuir um comprometimento na autoestima, não acreditarem em si mesmos, ou serem leais aos papéis transmitidos pela família, religião e cultura, mas "ninguém entra num papel por acaso".

Como essas pessoas entram nessas relações a partir de suas próprias crenças, elas geralmente são cordatas com seus papéis, gerando uma harmonia no casal. No entanto estou considerando esse equilíbrio como falso porque existe sempre sacrifícios de uma ou ambas as partes, rigidez e falta de flexibilidade no funcionamento do casal e família, o que dificulta uma vivência mais espontânea e livre nos relacionamentos.

Pode acontecer de uma dessas pessoas morrer na relação para a outra viver. Morrer uma morte simbólica signif**a se anular, não ter sua opinião ou posicionamento como válidos, não ser ouvido tampouco considerado, e muitas vezes massacrado como nos casos de violência de gênero. Ou seja, nas relações complementares rígidas, a falsa harmonia só acontece porque alguém desiste de viver, aceitando esse lugar do morto.

Isso não signif**a que não exista peso para o que ficou "vivo". Ser o algoz, o autoritário da relação é uma forma de mascarar a própria insegurança ou medo, e uma necessidade de autoafirmação visando tamponar o sentimento que está por detrás. Se ele precisa de alguém fraco para se mostrar forte, é porque não sente internamente seguro e confiante em si mesmo. Se relacionasse com alguém de fato forte, seria denunciado e sua máscara cairia instantaneamente. Por isso precisa e depende desse outro parceiro fragilizado no outro lado da moeda.

Dessa forma essa relação polarizada é extremamente dependente apesar de um dos lados parecer tão independente. Ainda que os posicionamentos de cada indivíduo sejam polarizados o eixo estrutural dos parceiros é de fato semelhante: insegurança, medo, baixa autoestima. Dois lados de uma mesma moeda.

Para que haja possibilidade de mudança na complementaridade rígida, o morto precisa querer viver e o dominador precisa estar cansado do seu falso poder. O morto precisa estar disposto a fazer os enfrentamentos dos seus medos e abrir mão da falsa segurança que o dominador lhe dá.

O dominador precisa entrar em contato com sua própria fragilidade, a qual tenta esconder a qualquer custo e correr o risco de retirar suas próprias máscaras defensivas agressivas. Ambos parceiros precisam enfrentar suas defesas infantis e aprender a lidar de outra forma com suas carências originais. Começa com uma escolha individual.

Construir um padrão saudável de comunicação dá muito trabalho. Nada acontecerá magicamente, apesar de fantasias infantis dos parceiros. Você está disposto a fazer este investimento?

Endereço

Belo Horizonte, MG
30330-350

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 08:00 - 21:00
Terça-feira 08:00 - 21:00
Quarta-feira 09:00 - 21:00
Quinta-feira 09:00 - 21:00
Sexta-feira 08:00 - 21:00

Telefone

(31)3375-3264

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