09/12/2025
O que ninguém te diz sobre corrida é como ela transforma a forma de como você se vê. Caso você crie consistência, você aprenderá sobre pace, fartlek, Garmin ou Polar, qual melhor tênis de corrida e até mesmo roupa. Qual óculos é melhor para cada momento do dia. Mas o que quase ninguém te conta é como sua personalidade passa a ser moldada quando a corrida deixa de ser só exercício e passa a ser estilo de vida.
Isso acontece porque a corrida passa a ser o seu ambiente e o ambiente molda quem somos.
Mas você talvez não tenha se dado conta, caso seja um corredor consistente, que você se tornou o seu melhor amigo. Você criou uma espécie de diálogo interno; coisas que antes você se julgaria, você deixou de julgar e substituiu por paciência aliada à ação. Você tem transformado seus traumas porque porque suas ações diárias e conscientes diminuem o peso das ações que te feririam. Você tem se aconselhado mais, porque passou a ser sua própria referência. Você tem se ouvido com mais presença, assim como ouve o seu corpo na corrida e sabe — no íntimo — se vai conseguir concluir o treino, ou não. Você torce por você.
E isso é raro.
É importante.
E tem mudado a sua vida.
Correr é aquele momento em que o mundo inteiro parece grande demais, mas o passo seguinte cabe inteiro no seu controle. Onde ninguém te aplaude, mas você se descobre aplaudível. Onde você não corre para provar nada a ninguém, mas para lembrar quem você é quando o silêncio encontra o movimento.
Correr te ensina a ser casa.
A ser abrigo.
A ser colo para si mesmo.
Porque, no fim, cada quilômetro é você dizendo para você:
“Eu não desisto de mim.”
Por Adriana Roque, psicóloga, atleta e parceira do Clube Endorfina
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