28/12/2020
DEPRESSÃO NATALINA
“Então, é natal! O que você fez?”. O final de ano é um período de alegria e prazer para muitos. Reencontro de famílias, cidade iluminada, decoração, presentes... Enquanto uns adoram passar esse momento com entes queridos, outros sentem uma melancolia sem igual, apresentando choro frequente, isolamento, irritabilidade, tristeza sem motivo aparente, sentimento de culpa, sonolência exagerada, ou insônia, ansiedade, dentre outros. Esses sinais podem ser indícios de ‘depressão natalina’. Se a pessoa apresentar alguns desses sintomas, é importante fazer um autoquestionamento: Isso ocorre com frequência? Traz transtornos para minha vida? Quanto tempo dura? A depender das respostas, pode ser apenas tristeza, mas, caso contrário, pode ser “christmas blues”, a chamada ‘depressão natalina’.
A mídia, bem como algumas religiões, apresentam uma formatação padrão de Natal que, geralmente, difere da realidade da maioria das famílias. Isso, muitas vezes, gera frustração para adultos e crianças, que também podem apresentar transtornos depressivos, ou, mesmo, tornarem-se adultos que trarão a certeza de que o Natal não passa de um momento de frustração, mentira, etc.
Em casos desse tipo de depressão, a família tem importante papel, pois o sujeito que se isola pode nem perceber os sintomas ou justificá-los para que seja aceitável seu comportamento. É importante lembrar que as causas podem ser diversas: solidão; ausência de membros da família ( isolamento devido a pandemia, filhos que não irão passar o Natal com a família , pais que se separaram ou se foram, etc.); culpa pelo consumo compulsivo; incompatibilidade entre a vida real e a idealizada com base nas propagandas, que, geralmente, apresentam famílias felizes em torno de mesa farta e suntuosos presentes; insatisfação com resultados do balanço anual, já que muitos planos são feitos no início do ano, mas as ações não viabilizam sua concretização; entre outros.
Esta depressão de fim de ano pode ser canalizada de forma positiva e utilizada para que se reveja o que esta pessoa está fazendo de sua vida. Será que ela não passou o ano todo desperdiçando oportunidades para criar laços de amizade que valerão a pena ser comemorados no natal? Não será este o grande momento para aprender a lidar de forma diferente com a própria vida?
Não há receita que possa ser aplicada em todas as pessoas, mas talvez identificar os gatilhos que desencadeam tristeza e rancor possa ser uma forma para lidar com sentimentos negativos. O melhor caminho é o autoconhecimento e saber que não é a única pessoa que está passando pela depressão do Natal.