Dra Fernanda Luz - Neuropediatra

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Falar sobre o diagnóstico de Autismo com a criança não antecipa sofrimento.Evita confusão.A maioria das crianças já perc...
04/05/2026

Falar sobre o diagnóstico de Autismo com a criança não antecipa sofrimento.
Evita confusão.

A maioria das crianças já percebe que há algo diferente no próprio funcionamento.
Quando ninguém organiza essa percepção, ela constrói explicações próprias — muitas vezes mais duras do que a realidade.

Por isso, conversar faz parte do cuidado.

Mas não é sobre “dar um rótulo”.
É sobre ajudar a criança a entender como o próprio cérebro funciona.

Na prática, isso muda a forma de abordar:

→ Começar pelas experiências concretas
(barulho, rotina, interação, comunicação)

→ Nomear dificuldades sem julgamento
(sem suavizar demais, sem dramatizar)

→ Evitar comparações com outras crianças — inclusive outras autistas

→ Introduzir o termo “autismo” como ferramenta de compreensão, não como definição da criança

→ Mostrar que há variabilidade dentro do espectro

Quando a criança entende o que acontece com ela,
ela consegue se posicionar melhor diante do que sente.

E isso impacta diretamente comportamento, autoestima e adesão à terapia.

Esse processo não precisa — e nem deve — ser feito sozinho.

O terapeuta ajuda a traduzir o funcionamento em estratégias.
O neuropediatra/psiquiatra infantil ajuda a organizar o raciocínio clínico e orientar a família sobre o momento e a forma dessa conversa.

Alinhar essa comunicação evita mensagens contraditórias
e protege a criança de interpretações distorcidas sobre si mesma.

Explicar não rotula.
Acolhe.

Eu sempre disse que seria médica. Cresci convivendo com a esquizofrenia da minha mãe, em uma realidade com pouca assistê...
01/05/2026

Eu sempre disse que seria médica. Cresci convivendo com a esquizofrenia da minha mãe, em uma realidade com pouca assistência e longas distâncias para conseguir atendimento. Foi ali que nasceu a ideia de fazer psiquiatria.

No quarto ano da faculdade, perdi minha mãe. E, naquele mesmo período, algo mudou: me aproximei da pediatria e percebi que conseguia me comunicar com crianças que não falavam. Aquilo me atravessou.

O interesse deixou de ser só pela doença e passou a ser pelo desenvolvimento. Ainda considerei a psiquiatria, mas já não queria sair das crianças. E escolhi a neuropediatria.

Na época, não era valorizada como é hoje. O consultório era formado por casos complexos, com pouca previsibilidade. Ouvi que eu poderia escolher um caminho mais fácil.

Segui.

Fiz residência em pediatria e fui aprovada na prova de título. Depois, residência em neuropediatria e novamente aprovação na prova de título pela AMB. Nunca foi sobre encurtar caminho. Foi sobre sustentar responsabilidade.

Hoje, olhando para trás, vejo uma trajetória construída com coerência. E sigo trabalhando com o que ainda me inquieta: como o cérebro de uma criança aprende e encontra caminhos, mesmo nas condições mais difíceis. Dra Fernanda Luz Teixeira CRM MG 46790 PEDIATRA RQE 26127 NEUROPEDIATRA RQE 26271

Será que é autismo? Será que estou vendo coisas? Devo marcar uma avaliação com neuropediatra só por isso?               ...
27/04/2026

Será que é autismo? Será que estou vendo coisas? Devo marcar uma avaliação com neuropediatra só por isso? O autismo não aparece de uma vez.
Os sinais vão se mostrando ao longo do desenvolvimento — na forma como a criança interage, se comunica e responde ao ambiente.

Em algumas fases, isso é mais sutil. Em outras, f**a mais evidente. E há crianças que conseguem mascarar parte das dificuldades, principalmente com o tempo.

Mas o ponto central não é a idade.
É o impacto no dia a dia.

Quando há dificuldade na comunicação, no comportamento ou nas relações, isso precisa ser olhado com atenção.

Buscar ajuda em qualquer fase do desenvolvimento ainda faz diferença.
Uma avaliação adequada permite entender o perfil da criança, orientar intervenções e reduzir sofrimento — da criança e da família.

Existe boa evidência de que intervenções direcionadas, mesmo quando iniciadas mais tarde, melhoram adaptação, comunicação e qualidade de vida.

Não é sobre rotular.
É sobre compreender para conduzir melhor.

Se algo chama sua atenção, vale investigar.

Novas moléculas continuam surgindo no tratamento do TDAH, algumas com mecanismos diferentes e outras ampliando opções de...
16/04/2026

Novas moléculas continuam surgindo no tratamento do TDAH, algumas com mecanismos diferentes e outras ampliando opções dentro do que já conhecemos. Isso representa avanço, mas não muda o ponto central do cuidado. O tratamento do TDAH não se sustenta apenas na medicação, e essa é uma expectativa que ainda aparece com frequência na prática clínica.

A resposta ao tratamento depende, em grande parte, do que acontece fora do consultório. Ajustes comportamentais, intervenções terapêuticas e adaptação do ambiente escolar continuam sendo determinantes para o desfecho. Quando esses elementos não estão organizados, mesmo medicações ef**azes tendem a produzir resultados parciais ou inconsistentes.

Na prática, o desafio não é apenas escolher a medicação adequada, mas conseguir traduzir o diagnóstico em intervenções concretas no dia a dia. Isso envolve rotina, previsibilidade, manejo de demandas e desenvolvimento de estratégias que sustentem o funcionamento da criança ao longo do tempo.

As novas medicações podem facilitar esse processo, especialmente em perfis mais complexos, mas não substituem essa base. E, até o momento, nada indica que vão substituir.

No fim, a pergunta que permanece não é qual é a medicação mais nova, mas o quanto conseguimos estruturar o ambiente para que aquela criança funcione melhor.

TDAH não é apenas desatenção ou agitação.O núcleo do transtorno está nas funções executivas:controle inibitório, planeja...
08/04/2026

TDAH não é apenas desatenção ou agitação.

O núcleo do transtorno está nas funções executivas:
controle inibitório, planejamento, organização, regulação emocional.

E isso muda completamente a forma de pensar o tratamento.

Não existe uma medicação “melhor” de forma universal.
Existe medicação mais adequada para cada perfil clínico.

Os psicoestimulantes continuam sendo primeira linha.
Têm a maior magnitude de efeito e resposta mais consistente.

Mas nem todo paciente precisa — ou tolera — essa via.

Os não estimulantes ampliam o manejo:

A atomoxetina atua de forma mais estável sobre a atenção e organização.
A guanfacina tem impacto mais claro sobre impulsividade e desregulação emocional.
A clonidina pode ajudar na hiperatividade, agitação e sono.

Fora do Brasil, novas opções já fazem parte do arsenal, como a viloxazina.
Outras moléculas, como a centanafadina, ainda estão em desenvolvimento.

Mas nenhuma delas, até o momento, superou os estimulantes em magnitude de efeito.

Na prática, a decisão não é hierárquica.
É clínica.

Leva em conta:
o padrão de prejuízo,
as comorbidades,
a tolerância,
e o contexto do paciente.

Porque tratar TDAH não é reduzir sintomas isolados.
É melhorar funcionamento.

Muita gente ainda acha que apoiar uma criança com autismo é corrigir comportamento.Mas, na prática, não é isso que muda ...
06/04/2026

Muita gente ainda acha que apoiar uma criança com autismo é corrigir comportamento.

Mas, na prática, não é isso que muda o desenvolvimento.

Quando a criança não consegue se comunicar bem, lidar com mudanças ou entender o que está acontecendo, o comportamento acaba ocupando esse lugar.

Por isso, antes de tentar “corrigir”, faz mais sentido entender.

Entender para quê aquele comportamento está acontecendo.

E, a partir daí, ensinar o que está faltando:
pedir ajuda, esperar, se comunicar, lidar melhor com o ambiente.

Algumas coisas fazem diferença no dia a dia:
antecipar mudanças, ajustar o ambiente, usar os interesses da criança a favor, facilitar a comunicação.

E tem um ponto que costuma ser negligenciado:
o que a criança aprende na terapia precisa aparecer fora dela, no dia a dia.

Sem essa continuidade, o ganho não se mantém.

Dificuldade no processo de alfabetização em uma criança com TEA nem sempre signif**a dislexia.Essa é uma dúvida muito fr...
09/03/2026

Dificuldade no processo de alfabetização em uma criança com TEA nem sempre signif**a dislexia.

Essa é uma dúvida muito frequente no consultório.

A leitura é uma habilidade complexa.
Ela envolve decodif**ação, linguagem, compreensão, inferência e integração de informações.

Por isso, quando uma criança apresenta dificuldade na alfabetização, diferentes mecanismos precisam ser considerados.

No TEA, alterações de linguagem são comuns e podem impactar diretamente esse processo. Entre elas:

• vocabulário mais limitado ou pouco funcional
• compreensão literal da linguagem
• dificuldade em compreender frases mais complexas
• prejuízo na linguagem pragmática (uso social da linguagem)
• dificuldade em construir inferências e compreender contexto

Mas esse não é o único mecanismo possível.

A dificuldade na alfabetização também pode estar relacionada a:

• dislexia (déficit fonológico)
• déficit intelectual
• fatores pedagógicos
• outras comorbidades

Além disso, dislexia e TEA podem coexistir.

Por isso, diante de uma dificuldade na alfabetização, a pergunta mais importante não é apenas “a criança tem dificuldade?”.

A pergunta correta é:

qual é o mecanismo que está por trás dessa dificuldade?

Porque é isso que orienta a intervenção.

Salve este post para consultar depois e compartilhe com quem trabalha com alfabetização ou com crianças neurodivergentes.

Nos últimos anos, o ácido folínico passou a ser citado como possível intervenção no Transtorno do Espectro Autista (TEA)...
08/02/2026

Nos últimos anos, o ácido folínico passou a ser citado como possível intervenção no Transtorno do Espectro Autista (TEA), a partir de estudos que sugeriam benefícios clínicos.

No entanto, um dos principais ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo sobre o tema foi retratado pela revista científ**a após a identif**ação de erros nos dados, inconsistências na análise estatística e impossibilidade de reproduzir os resultados a partir do banco de dados original.

🔎 O que isso signif**a na prática?
Uma retratação indica que os resultados não são considerados evidência científ**a válida.
Com isso, o estudo não pode ser usado para embasar prescrição clínica.

Até o momento, não há comprovação científ**a robusta de benefício do ácido folínico no TEA, e ele não deve ser indicado como tratamento do autismo.
A suplementação só se justif**a quando há indicação clínica específ**a, independente do diagnóstico de TEA.

Na medicina do neurodesenvolvimento, decisões responsáveis exigem evidência consistente, reproduzível e analisada de forma crítica.
Nem todo resultado positivo se sustenta ao longo do tempo — e reconhecer isso faz parte da boa prática médica.

📚 Referência:
European Journal of Pediatrics. Retraction Note, 2026.

Altas habilidades/ Superdotação (AH/SD) na escola: por onde começarO primeiro passo não é decidir se o aluno deve aceler...
21/01/2026

Altas habilidades/ Superdotação (AH/SD) na escola:
por onde começar

O primeiro passo não é decidir se o aluno deve acelerar.
É entender como ele funciona no contexto escolar.

Alguns alunos aprendem rápido, mas ainda não sustentam demandas longas.
Outros toleram frustração, se organizam e precisam de mais desafio.
Há casos em que adaptação e aceleração precisam caminhar juntas.

Por isso, não existe resposta padrão para todo aluno com AH/SD
O projeto pedagógico deve considerar maturidade emocional, organização, autonomia e relações sociais — e não apenas rendimento ou QI.

Quando a conduta é ajustada ao perfil do aluno,
o aprendizado se mantém e o potencial pode se desenvolver ao longo do tempo.

Que 2026 chegue com mais gentileza.Para quem segurou muita coisa em silêncio.Para quem fez o melhor que deu, mesmo exaus...
31/12/2025

Que 2026 chegue com mais gentileza.

Para quem segurou muita coisa em silêncio.
Para quem fez o melhor que deu, mesmo exausto.
Para quem precisou seguir sem ter todas as respostas.

Seguimos por aqui.
Com cuidado, presença e compromisso.

Feliz ano novo.

Quando a dor de uma mãe incomoda, ela costuma ser rotulada como exagero. Isso não acontece porque essa dor seja pequena ...
30/12/2025

Quando a dor de uma mãe incomoda, ela costuma ser rotulada como exagero. Isso não acontece porque essa dor seja pequena ou irrelevante, mas porque ela exige algo que nem sempre as pessoas estão dispostas a oferecer: envolvimento, responsabilidade e sustentação real. É mais simples reduzir do que se implicar.

Esse mecanismo aparece com frequência quando a mãe tenta explicar o cansaço acumulado, o medo constante, a sobrecarga da rotina. Em vez de escuta, surgem rótulos que desautorizam sua experiência. Dramática, ansiosa, louca, controladora, difícil. Essas palavras não descrevem o que ela vive. Funcionam como uma forma de silenciamento.

Reduzir a dor não é falta de informação nem desconhecimento da realidade. É uma escolha confortável de se afastar. Ao minimizar o sofrimento, o outro se protege da necessidade de ajudar, dividir tarefas, mudar atitudes ou rever privilégios. A invalidação cumpre essa função social de manter tudo como está.

Essa mãe não inventou o cansaço, não criou o colapso e não está sentindo demais. Ela está sustentando uma rotina que pesa no corpo, na mente e nas relações. Quem vive essa rotina sente os efeitos diariamente. Quem observa de fora tende a simplif**ar, e a simplif**ação é uma forma socialmente aceita de silenciar o sofrimento alheio.

Quando a dor de uma mãe é reduzida, isso raramente acontece para ajudar. Acontece para evitar lidar com ela. Por isso, esse debate nunca foi sobre exagero. Sempre foi sobre a ausência de empatia, de apoio e de responsabilidade compartilhada.

Se esse texto causou incômodo, talvez ele esteja apontando para algo que precisa ser revisto. Não se trata de fragilidade materna, mas de abandono normalizado, frequentemente disfarçado de opinião ou conselho.

Endereço

Avenida Francisco Sales, 1017 Sala 1001
Belo Horizonte, MG
30150223

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