27/04/2019
CARTA À UM PAI ALCOÓLATRA
Perdoa-me, pai. É importante que leia o meu desabafo. Sempre falei que, quando crescesse queria ser igual ao senhor. Mas, infelizmente, eu mudei de idéia. Não imagina o q sofremos quando anoitece e não vem para o jantar, pois só chega em casa de madrugada, assim mesmo embriagado. Olhe, não me importo que chuta os meus brinquedos, pisa-os contra as paredes, bata raivosamente em mim sem motivo, quando lhe pergunto: Por que o senhor não deixa de beber ? Pai, não me envergonho de usar roupas velhas, sapatos furados e nem me incomodo com o pouco alimento que como. Na verdade nada disso teria importância se o senhor não bebesse. Por favor, não fique parado nos bares perdendo seu tempo, seu dinheiro e sobretudo sua Saúde, bebendo e farrando ao lado daqueles que dizem-se seus amigos. Lembre-se, nós precisamos do senhor. Eu queria apenas tê-lo em casa todas as noites para poder dizer antes de deitar: " BENÇA PAI ". Sabe, Eu senti muita pena de vê-lo um dia deses deitado da calçada. Os garotos que passavam começaram a atirar-lhe pedras, seus ci****os estavam espalhados pelo chão, seus bolsos revirados e lá estava uma garrafa de cachaça quebrada a seus pés. Pedi para que não fizessem aquilo e eles me perguntaram: Se voçê conheçe esse cachaçeiro? Pôxa, pai; tive vontade de dizer NÃO. Mas lembrei-me que certa vez me disse: Filho o verdadeiro homem não diz mentiras. Então, tomei coragem e respondi sim, conheço, é meu pai. Eles riram e falaram: Se fossemos voçê, teriamos vergonha de chamar esse bêbado de pai. Baixei a cabeça humilhado, meus olhos se encheram de lágrimas e chorei. Tentei erguê-lo, pei para que se levantasse, enxuguei o seu rosto suado pelo sol do meio dia, contudo, meus esforços foram inúteis. O senhor parecia não ouvir, gemia, dizia palavras incompreensíveis e rolava de um lado para o outro na calçada imunda. Os garotos foram embora dizendo: Voçê está lidando com um pau d'água sem vergonha, deixe-o aí, pode ser que ao tentar atravessar a rua, um caminhão passe por cima dele e o mate. Pai, foi duro ouvir aquilo. Eu senti como se fosse o mundo inteiro desabando sobre mim. Querido pai; por que o senhor não procura uma Clinica para dependentes químicos para deixar de beber?. Por que não tenta? Talvez seja sua grande oportunidade. Não se envergonhe, lá eles irão recebê-lo bem. Antes de terminar, quero que saiba de uma coisa. O voto que fiz de amá-lo, respeitá-lo e querer-lhe bem, hei de cumprir sempre, mas quando crescer não quero ser mais igual ao senhor.
"SEU FILHO QUE O AMA "