05/05/2026
Imaginar não é escapar da realidade, mas expandi-la. É uma força silenciosa que antecede toda criação: antes de existir no mundo, algo precisa existir na mente. A imaginação é o território onde o possível começa a ganhar forma, onde o invisível ensaia sua aparição.
É ela que nos impulsiona para além do que já está dado. Sem imaginar, permaneceríamos confinados ao imediato, ao já conhecido, ao que se repete. Imaginar, por outro lado, é romper com a inércia do presente — é permitir-se conceber outros caminhos, outras versões de si, outras formas de viver e de compreender.
Há também, na imaginação, um diálogo profundo com o desejo. Aquilo que se imagina revela, ainda que de modo simbólico, aquilo que se busca, que se carece ou que se intui como possível. Por isso, imaginar não é apenas um ato criativo, mas também um gesto de escuta interna.
E, no entanto, imaginar exige coragem. Porque ao vislumbrar novos horizontes, somos também convocados a nos mover em direção a eles. A imaginação, quando levada a sério, não nos deixa intactos — ela nos inquieta, nos chama, nos transforma.
Assim, imaginar é mais do que sonhar: é preparar o terreno do real. É a força sutil que antecede o gesto, que inspira a ação e que, pouco a pouco, redesenha o mundo a partir de dentro.