Psicologia Clínica e Psicanálise

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A psicologia clínica e a psicanálise tem o intuito de trabalhar sobre a relação do sujeito com os seus sintomas. A neurose sempre se repete, mas o processo terapêutico contribui para que as repetições na esfera do amor, no campo do trabalho e na vida social, não sejam paralisantes.

Quando buscar ajuda de um psicoterapeuta?Mesmo estando no século XXI, muitas pessoas acreditam que fazer terapia é para ...
16/10/2016

Quando buscar ajuda de um psicoterapeuta?

Mesmo estando no século XXI, muitas pessoas acreditam que fazer terapia é para loucos ou para pessoas extremamente problemáticas!

Como profissionais da saúde mental, não podemos validar essa máxima!

Pessoas que questionam sobre o seu comportamento, seja consigo mesmo ou com o outro, que se incomodam com situações repetitivas que geralmente é "obrigado" a vivenciar, são bons candidatos ao processo psicoterapêutico! Afinal, há algo da neurose que se repete insistentemente!

Geralmente as pessoas chegam ao consultório em situações de extrema angústia, absorvidos pelos próprios sintomas, com insônias diante das crises no relacionamento amoroso ou perturbados com a vida profissional. Atualmente, também é comum chegarem pessoas que se atrapalharam com o manuseio dos psicotrópicos, prostradas pelo excesso dos medicamentos, ou que se decepcionam quando o medicamento, que servia como um dispositivo de salvação (amuleto), passa a falhar!

A psicoterapia certamente é um caminho que contribui para a retificação subjetiva, ou seja, para que o sujeito lide com a sua forma de estabelecer laço social, e se desaliene, minimamente, da trama emocional em que está mergulhado!

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Para refletir sobre as surpresas que nós mesmos nos permitimos viver! Somos humanos!

Abraçando árvore

Não era uma felicidade eufórica, estava mais pra uma brisa de contentamento, como se eu bebesse vinho branco à beira-mar.
Eu tinha acordado cedo naquela sexta − e acordar cedo sempre me predispõe à felicidade. O trabalho havia rendido bem e, antes do fim da manhã, já tinha acabado de escrever tudo o que me propusera para o dia. À uma, fui almoçar com o meu editor. Ele estava com alguns capítulos do meu livro novo desde dezembro e eu temia que não tivesse gostado. Gostou. Comemos um peixe na brasa − peixe e brasa também costumam me predispor à felicidade − e como era sexta-feira, e como somos amigos, e como comemorávamos essa pequena alegria que é uma parceria funcionar, brindamos com vinho branco − não à beira-mar, mas à beira do Cemitério da Consolação, que pode não ter a grandeza de um Atlântico, mas também tem lá os seus pacíficos encantos.
Saí andando meio emocionado, meio sem rumo pela tarde ensolarada e quando vi estava em frente à paineira da Biblioteca Mario de Andrade. É uma árvore gigante, que provavelmente já estava ali antes do Mario de Andrade nascer, continuou ali depois de ele morrer e continuará ali depois que todos os 18 milhões de habitantes que hoje perambulam pela cidade de São Paulo estiverem abaixo de suas raízes. Talvez tenha sido o assombro com essa longevidade, talvez acordar cedo, talvez os elogios ao livro, e o vinho certamente colaborou: fato é que senti uma súbita vontade de abraçar aquela árvore.
Acho importante deixar claro, inclemente leitor, que não sou do tipo que abraça árvore. Na verdade, sou do tipo que faz piada com quem abraça árvore. Se me contassem, até a última sexta, que algum amigo meu foi visto abraçando uma paineira na rua da Consolação eu diria, sem pestanejar: enlouqueceu. Mas...
Olhei prum lado. Olhei pro outro. Tomei coragem e foi só sentir o rosto tocar o tronco para ouvir: “Antonio?!”. Era meu editor. Foram dois segundos de desespero durante os quais contemplei o distrato do livro, a infâmia pública, o alcoolismo e a mendicância, mas só dois segundos, pois meu inconsciente, consciente do perigo, me lançou a ideia salvadora. “Uma braçada”, disse eu, girando pra esquerda e envolvendo a árvore novamente, “duas braçadas e... três”. Então encarei, seguro, meu possível verdugo: “Três braçadas dá o quê? Uns cinco metros de perímetro? Tava medindo pra descrever, no livro. Tem uma parte mais no fim em que essa paineira é importante”.
Colou. Nos despedimos. Ele foi embora prum lado, a minha felicidade pro outro e agora estou aqui, já noite alta desta sexta-feira, tentando enfiar a todo custo um tronco de quase dois metros de diâmetro num livro em que, até então, não havia nem uma samambaia. (Adaptado de: PRATA, Antonio. Disponível em: www.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2016/01/1730364-abracando-arvore.shtml. Acesso em: 18.01.2016.)

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