08/04/2025
Grazi encontra um poderoso espaço dentro de si.
Grazi sempre sentiu que havia algo dentro dela que não conseguia nomear. Era um peso difuso, uma inquietação constante que a fazia duvidar de si mesma e de suas escolhas. Desde a adolescência, convivia com a sensação de estar deslocada, como se houvesse um ruído de fundo impedindo-a de se sentir plena. Mas nunca soube ao certo por onde começar para mudar isso.
Foi só depois de um momento de crise intensa, em que sentiu que não podia mais continuar ignorando sua dor interna, que decidiu buscar ajuda. Entre tantas abordagens terapêuticas, encontrou um profissional que trabalhava com a psicoterapia orientada à focalização. No começo, não sabia muito bem o que esperar, mas algo na forma gentil e presente do terapeuta fez com que sentisse segurança para se entregar ao processo.
As primeiras sessões foram um desafio. Grazi estava acostumada a racionalizar tudo, a tentar encontrar soluções lógicas para seus dilemas, mas a abordagem da focalização a convidava a se conectar com seu corpo, com as sensações sutis que carregavam mensagens importantes sobre suas emoções mais profundas. Aos poucos, foi aprendendo a prestar atenção nesses sinais internos, sem julgá-los ou tentar apagá-los.
Houve momentos de resistência. O medo de se aprofundar no desconhecido era grande, e a vulnerabilidade a assustava. Mas, conforme progredia, começou a notar pequenas mudanças: a maneira como respirava, como reagia às situações difíceis, como seu corpo respondia quando algo fazia sentido para ela. A terapia lhe ensinou a escutar a si mesma de uma forma que nunca havia feito antes.
Os anos passaram, e Grazi foi se reconstruindo. Descobriu padrões que carregava desde a infância, percebeu como certas crenças limitantes haviam moldado sua visão de mundo e, mais importante, aprendeu a acolher suas emoções em vez de fugir delas. Cada insight ao longo do caminho foi como um tijolo na construção de uma nova relação consigo mesma.
Então, naquele dia específico, sentada sozinha em sua sala, com a luz suave entrando pela janela, teve um momento de pura clareza. Foi como se, de repente, todo o seu caminho até ali fizesse sentido. Então ela sorriu.