19/01/2026
As Minas do Camaquã
Não há nada nesse estado que se assemelhe a essa pequena vila, distante de tudo e a quase uma hora de Caçapava do Sul. Seja bem-vindo às Minas do Camaquã, um lugar que foi, por décadas, um dos principais polos de mineração de cobre do Brasil.
Um lugar que marca quem passa por ali. Um cenário maravilhoso, palco de diversos trabalhos de Dákila Pesquisas. Mas um desses trabalhos marcou profundamente a minha alma. Sabe quando você está em uma fase em que o coração transborda de felicidade, uma liberdade gigantesca invade o peito e tudo o que acontece faz os olhos brilharem? Eu estava assim naquele dia. Tanto que, ao lembrar desse momento, volto imediatamente para aquela aventura mágica que vivi anos atrás.
Estávamos no período de implantação do MDPL, uma tecnologia passada pelos seres para que pudéssemos desenvolver o super-humano que há em cada um de nós. Naquela tarde fria da cidade do Sul, fomos fazer o futebol arte. Enquanto os valentes “jogadores” travavam uma batalha quase medieval, eu os incentivava na narração do jogo, criando apelidos carinhosos e criativos — que todos odiavam, kkkkkkk.
Depois do MDPL, iríamos para uma sede cultural da cidade para assistir à palestra do Urandir. E, como sempre, ele me chamava para dar uma pequena palavra. Com o salão lotado, comecei, como de costume, com algumas piadinhas para quebrar o gelo. Só que eu não sabia que, com o povo do Sul, a coisa era diferente: mais sérios, com um humor mais refinado. Minhas piadas criaram, na verdade, um silêncio ensurdecedor. Eu percebi na hora que ali minhas gracinhas não surtiriam efeito algum.
Antes que minha cara começasse a tremer de vergonha — algo que nunca tive na vida —, mudei rapidamente para o assunto do momento, que era o MDPL, e logo depois fomos para a saída na mata.
Naquela noite, junto com minha parceira de orientação, Larissa Porto, recebemos uma orientação do Bilu/Edibel: no dia seguinte, eu e ela deveríamos ir, à tarde, até o local da tarefa da noite para organizar a logística de como o grupo f**aria acomodado.
Larissa Porto é uma menina sensata que, segundo o Bilu, foi minha irmã mais nova em outra vida. E nesta, continua sendo uma irmã e uma orientadora exemplar. Fomos em direção ao local para avaliar como seria esse trabalho.
Eu, como sempre, com meu ego gigantesco, cheguei e falei:
— Larissinha, não vamos por esse caminho que nos indicaram. Vou te mostrar um que eu conheço como a palma da minha mão.
E saí na frente, ignorando completamente as recomendações que ela havia me passado. Mas, com o bom humor típico dela, Larissinha foi falando:
— Charles, esse lugar está estranho. Não tem areia como todo deserto costuma ter… aqui tem muita água.
Eu respondi:
— Deixa de medo, Larissinha. Eu sei o que estou fazendo.
Quando, de repente, afundei um pé com o único tênis que eu tinha. A Larissinha começou a rir e disse:
— Sai daí e vamos voltar!
Eu respondi:
— Não, vamos continuar!
Saí da lama e comecei a andar mais rápido para chegar ao local. Já eram cerca de 17h, e começava a escurecer. A Larissinha insistia:
— Vamos voltar.
Eu falei:
— Tá bom, mas vamos pelo mesmo caminho.
Ela aceitou. E eu fui guiando, todo confiante, me mostrando o cara, dizendo que já havia passado ali umas trezentas vezes. Quando, de repente, pisei exatamente no mesmo local em que havia atolado minutos antes. Só que, dessa vez, atolei os dois pés. E continuei afundando.
A Larissinha começou a rir. E ria tanto, mas tanto, que minha cara começou a dar aquele famoso tique nervoso. Eu afundava cada vez mais, e já estava atolado quase até a poupança.
Gritei:
— Socorro, Larissinha!
Aí foi que ela riu mais ainda. Depois, me ajudou a sair. Perdi meu tênis e estava completamente sujo de lama. Obedeci à Larissinha, e fomos embora rindo até não aguentar mais.
Chegando já perto da sede, eu falei:
— Larissinha, você não vai contar isso para ninguém!
Mas, olhando para o rosto dela, que não parava de rir, eu sabia que nem eu mesmo faria esse silêncio se isso tivesse acontecido com outra pessoa. Ri muito e fui para o hotel descalço.
No dia seguinte, um amigo meu, Roberto da Foto Aura, me emprestou o tênis dele. Era menor que o meu pé, mas, como diz o ditado: o que é um peido para quem já está todo cagado?
Para minha surpresa, a Larissinha não contou para ninguém. Eu mesmo fui quem fez a fofoca de mim.
No domingo à noite, no deserto das Minas do Camaquã, aconteceu o contato com o Bilu. Ele contou a todos os presentes que surgiria uma neblina, que faria a abertura entre o nosso mundo e o mundo dos ascensionados. Um detalhe interessantíssimo: até aquele momento, não havia absolutamente nada de neblina.
Fomos todos atrás de uma grande amiga e pessoa extraordinária chamada Nilza Marques — cuja história envolvendo essa dimensional fantástica eu ainda vou contar um dia —, por hora ela era a matricial deste trabalho e assim começamos a caminhar.
Nilza ia à frente, e todos nós atrás. Quando, de repente, ao longe, uma massa de neblina vinha em nossa direção. A cena era simplesmente extraordinária. Era a primeira vez que uma neblina era citada antes mesmo de surgir. E, quando ela nos encontrou, não conseguíamos ver nem a ponta do próprio nariz.
Nilza precisava nos levar até um ponto em que a percepção dela tivesse certeza de que era o local certo. E, ali, do meu ponto de vista, eu me sentia iluminado. Era uma sensação de que tudo era mágico, completamente diferente da frieza da vida da terceira dimensão, onde tudo é controlado, onde nada pode, onde somos condicionados ao medo, onde somos escravizados por sistemas que nos ensinam a desconfiar de tudo.
Ali eu estava, cercado de amigos, em um lugar de treinamento das percepções, e tudo aquilo estava acontecendo diante dos nossos próprios olhos.
De repente, algumas vozes surgiram, chamando o nome da Nilza. Um frio agradável tomou meu corpo. E, ali, começava uma fase diferente para a humanidade.
Segundo o Bilu/Idibel, tudo o que até então sabíamos sobre o mundo espiritual e o mundo físico, tudo o que tínhamos de informação sobre como as coisas funcionavam, seria complementado com as novas informações da nova ciência chamada Lilarial — que também contarei, segundo o que aprendi, em outra oportunidade.
Mas posso afirmar: esse novo conhecimento sobre esses temas, que pertencem a Dákila Pesquisas, irá revolucionar a forma como pensamos e agimos na Terra.
Aquela noite incrível, ao som de sussurros que pareciam angelicais, sob uma neblina inacreditável, e com a aula que recebemos do nosso amigo Bilu, marcou a minha mente como uma janela viva. Ao pensar, sou transportado para aquele dia, e as lembranças voltam com tudo o que meu corpo consegue produzir.
Ao final, a neblina se dissipou, e a experiência deixou em cada um uma marca da elevação consciencial, característica daquilo que Dákila proporcionou — e ainda proporciona — a todos.
Este relato é completamente fruto das minhas percepções e das experiências que vivi ao vivo e a cores, no físico, junto com todos que ali estavam. Portanto, é de inteira responsabilidade minha dizer que não falo em nome de Dákila, e sim da experiência que vivi em minhas caminhadas por esse grupo fantástico.
Mesmo eu sendo um orientador oficializado e consagrado, tenho total respeito em contar essas experiências de forma que não atrapalhe o ritmo em que Dákila hoje se encontra, utilizando uma linguagem adequada ao tema, o que aqui eu propositalmente não fiz, para trazer a frequência daquele dia.
E, aos que se interessaram por este relato, deixo meu carinho por terem lido até aqui. Digo também que quero conhecer todos dessa nova geração atual de Dákila e participar das novas aventuras que ainda virão no futuro.
Como disse o Bilu ao falar o nome de Dákila é daqui lá? Quem viverá estas experiências maravilhosas.
Texto: Charles Ferreira de Souza