30/01/2026
As férias podem ser um momento de descanso e lazer, mas também podem desencadear a angústia de separação.
A angústia de separação, conceito oriundo da teoria freudiana e explorado por autores como Spitz (a angústia dos oito meses), Klein, Winnicott, Bion e outros, refere-se ao desamparo do bebê diante da ausência de seu cuidador. Esse tipo de angústia se manifesta em crianças ao enfrentarem a perda, mesmo que temporária, de figuras de apego.
Ao retornarem às aulas após as férias, as crianças podem enfrentar a angústia da readaptação ao ambiente escolar. Esse processo pode provocar sofrimento psíquico, reativando emoções ligadas à separação e à perda, manifestando-se em sintomas como choro, queixas físicas e alterações de comportamento, que refletem o estresse familiar associado a essa transição. O que inicialmente parece uma simples mudança de rotina pode, na verdade, desencadear experiências emocionais profundas, evidenciando a complexidade do impacto emocional que essa fase pode ter na vida das crianças.
Quando a angústia de separação acontece no contexto analítico torna-se uma experiência essencial para o processo terapêutico. Essa angústia pode emergir durante interrupções na relação analítica, como férias ou ausências do analista, e pode ser especialmente intensa para aqueles pacientes que dependem da análise como um espaço de contenção e elaboração emocional.
Essa vivência é uma oportunidade para o paciente adentrar e elaborar sentimentos profundos de abandono e perda, muitas vezes relacionados a experiências da infância. A forma como ele lida com essa angústia pode refletir padrões de apego nas dinâmicas transferenciais. O analista, ao reconhecer e acolher esses sentimentos, cria um espaço seguro para que o paciente possa explorar suas emoções, promovendo um processo de autoconhecimento e crescimento emocional.