18/04/2026
A avaliação pelo especialista em medicina fetal é um ato médico. Não podemos nunca abrir mão dessa premissa.
O ato médico é o acolhimento do paciente em toda sua dimensão: psíquica, afetiva, física e social. É o buscar na porta do consultório e chamar pelo nome, é o toque de mão e o olhar no olho, é observar o andar, a maneira que protege o ventre, o tremor dos lábios, a reação dos familiares. É estar atento nos silêncios e atropelos da fala.
O ato médico envolve uma entrevista, mesmo que breve e objetiva, o analisar da história contada ou registrada nos documentos. Envolve examinar o bebê e para isso usamos o equipamento de ultrassom.
A ultrassonografia é um meio. Não importa o nome do exame… O ato médico “ são os fins” da avaliação pelo especialista em medicina fetal. Usamos o equipamento para extrair dados da formação e do desenvolvimento do bebê. No entanto quais dados devemos extrair? Como é quando fazer? Como utilizar essas informações Contextualizar os achados, fazer hipóteses diagnosticas, testar essas hipóteses, fazer o diagnóstico, montar um plano de cuidados, propor um tratamento, comunicar ao médico assistente e avaliar o bebê longitudinalmente é um ato médico.
Envolve tempo protegido, capacitação técnica, repertório clínico, responsabilidade civil e criminal.
A banalização e a “comoditização” da assistência médica, feita em escala e a toque de tambor, tem minado o valor da nossa profissão que tão linda e preciosa pra humanidade.
Não abram mão daquilo que é Sagrado na nossa profissão.