30/12/2025
Existe uma pressão invisível que nos obriga a encerrar ciclos com euforia, como se o calendário tivesse o poder mágico de apagar as marcas que o ano deixou na pele e na mente. Mas, como psicóloga, o que vejo é o oposto: o fim de dezembro é, muitas vezes, o momento em que o corpo finalmente se permite sentir o peso de tudo o que sustentou em silêncio.
Reconhecer que o ano foi difícil não é pessimismo; é saúde. 2025 não nos poupou, e fingir que "está tudo bem" apenas para caber na estética das festas é uma forma de nos desumanizar. As cicatrizes coletivas que acumulamos nos últimos meses exigem mais do que celebração — exigem reconhecimento e pausa.
Se você sente que está chegando ao final deste ciclo exausta ou com o peito apertado por questionamentos que ainda não têm resposta, saiba que esse lugar também é legítimo. A vida não é uma linha reta de sucessos, e o amanhã não depende de um otimismo forçado, mas da nossa capacidade de olhar para o que vivemos sem desviar o olhar.
Que possamos atravessar essa fronteira temporal com a sobriedade de quem sabe o valor do próprio caminhar. Sem romantismo, mas com a dignidade de quem escolheu permanecer atenta a si mesma.