10/12/2025
Hoje, 10 de Dezembro, encerramos os 16 Dias de Ativismo no dia em que celebramos a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mas a pergunta que permanece é a mais urgente de todas: Para as mulheres, especialmente as mulheres negras, indígenas, trans, idosas e com deficiência, esses direitos são universais ou condicionais?
A misoginia estrutural nos dá a resposta: a violência é a negação sistemática do direito humano fundamental à vida.
Ao longo desta jornada, vimos a crueldade dos dados: quase 70% das vítimas de feminicídio no Brasil são mulheres negras. Vimos a violência política silenciar representantes como Marielle Franco, a violência online tentar destruir a dignidade de figuras públicas, e o estigma violento negar a plena autonomia de mulheres como Ádria Santos e Preta Gil.
A violência que combatemos é o extermínio sistemático. Ela se manifesta no corpo, na morte; mas também na violência psicológica que destrói a identidade (Neusa Santos Souza), na culpa imposta à mãe solo (Negra Li) e no etarismo que tenta apagar a história da mulher idosa (Diva Moreira).
Nossa luta não é por tolerância ou aceitação branda; é pela garantia inegociável de que a vida, a integridade e a autonomia sejam plenos. O ativismo de 16 dias é apenas um lembrete. A responsabilidade é de todos nós, todos os dias, em todos os espaços.
O fim da violência é a nossa exigência mínima para que a Declaração Universal dos Direitos Humanos se torne, de fato, universal. A luta pela nossa vida é a nossa maior demanda política.