27/08/2025
Hoje é Dia do Psicólogo.
São 7 anos desde a minha formação, e celebrar essa data sempre me faz pensar no compromisso com a escuta que essa profissão exige. Tenho vivido cada vez mais a experiência de que ser psicóloga é, também, ocupar um lugar de luta.
Uma luta por uma psicologia ética, que não estigmatize, mas que acolha, considerando as diferentes formas de expressão e de ser no mundo. Ser psicóloga é uma escolha diária. E não é uma escolha simples. Muitas vezes, quando alguém descobre minha profissão, ouço perguntas como: “mas como você consegue ouvir tantas histórias sem se afetar?” A resposta é que eu me afeto, sim. Porque ouvir o sofrimento do outro me atravessa. Mas é justamente nesse atravessamento que encontro sentido: na possibilidade de criar um espaço de cuidado e reflexão, onde também há lugar para o abraço que se dá através do acolhimento.
Fazer clínica é também um ato político. Porque aquilo que chega até nós carrega marcas de preconceitos sociais, desigualdades e dores coletivas. Ainda hoje, a psicologia é vista, por muitos, com estigma: “psicólogo é coisa de louco.” Essa visão, infelizmente, faz com que muitas pessoas prolonguem seu sofrimento antes de buscar ajuda.
Mas a psicologia é, sobretudo, um convite: olhar para si, para a própria subjetividade e individualidade, encontrando novas formas de pensar e se relacionar. É quando o paciente consegue se mover além das descrições dadas pelo mundo e amplia a narrativa sobre a própria vida.
Lembro aqui de Kierkegaard:
“Aventurar-se causa ansiedade, mas não se arriscar é perder a si mesmo. E aventurar-se, no sentido mais elevado, é precisamente tomar consciência de si próprio.”
Hoje, posso dizer que sou muito feliz pela escolha que fiz e que refaço todos os dias. Feliz pelos encontros, pelas trocas e pelos aprendizados que essa profissão me oferece e por tudo aquilo que ela me possibilita ser junto com o outro.