Verônica Valente

Verônica Valente psicologia e psicanálise

29/04/2026
Psiquê era alma,e, como toda alma,só sabia sentir, mas nãosabia o que dizer.Amar era seu destinoe também sua ferida.Pois...
15/04/2026

Psiquê era alma,
e, como toda alma,
só sabia sentir, mas não
sabia o que dizer.
Amar era seu destino
e também sua ferida.
Pois só os que podem ser feridos podem amar,
garantia o cupido.
Por isso, quem ama, ama no escuro, ama
sem ver, sem saber,
sem nem compreender.
Só foi atravessado pela flecha,
garantia o cupido.
Porque amar
é sempre um pouco isso:
um salto naquilo
que não se pode garantir.
Arrastado pela curiosidade
de tocar a chama.
Mas, quando a luz revela o outro,
revela também o que há em nós:
o medo de perder,
o medo de não ser suficiente,
o medo de que o amor
não sobreviva ao olhar.
E esse abismo revela
a falta,
o desamparo.
Mas talvez só aí, depois da revelação,
a história realmente começa.
Porque amar
não é habitar o paraíso,
mas atravessar tarefas impossíveis
sem garantias de retorno.
Mas é sobre suportar
a ausência,
a espera,
a queda.
E talvez seja isso o amor:
não nos poupar da condição humana,
mas nos arrancar,
mesmo que por instantes,
do sono profundo da desistência.
Amar
é continuar.
É escolher,
mesmo ferido,
mesmo incompleto,
mesmo sem garantias.
É aceitar
que ser humano
é tarefa dura,
quase impossível,
mas não solitária.
Porque, no encontro com o outro,
algo em nós respira de novo.
E viver,
no fundo,
talvez seja apenas isso:
ter alguém
que nos acorde
quando já não conseguimos mais
sozinhos.
Garantia o cupido.
Verônica Valente

Não nos encontramos por aíEstou protegida de você.Mas não como pensam.Eu me protejo de você… amando-te.É o meu amor que ...
12/04/2026

Não nos encontramos por aí

Estou protegida de você.
Mas não como pensam.

Eu me protejo de você… amando-te.

É o meu amor que te repele.
É ele que te empurra para longe,
que te livra de mim
e me livra de ti.

Como se sentir meu amor
te colocasse em alerta.
Em pânico.

Você não sabe ser amado.

Algo em você recua.
E então se salva de mim,
acreditando que meu amor é um risco.

Talvez seja.

Amar é deixar-se ser partido.

Então…
Você se escolhe.
Você se encolhe.
Você se fecha.
Você pisa no freio.
Você se mantém inteiro.

E eu…
Faço o mesmo.
Eu insisto.
Eu permaneço.
Eu digo, repito e sustento: eu-te-a-mo.
Veementemente.
Como a certeza de uma loucura.

E talvez seja.

Mas, se eu parar…
se eu soltar…
se eu deixar de te amar…
talvez você volte.

E eu não sei o que faria com isso.
Então eu continuo.
Te amando como quem impede um retorno.
Te amando como quem fecha uma porta
com o próprio corpo.

Você se protege do meu amor.
Eu me protejo da possibilidade do seu.

E assim seguimos.
Você, intacto.
Eu, insistente.
Dois modos diferentes
de não nos encontrarmos.

Verônica Valente

Do que se trata o perdão?Que sentimento é esse?Quando é que entendemos que temos algo a ser perdoado?Quando uma dor come...
09/04/2026

Do que se trata o perdão?
Que sentimento é esse?
Quando é que entendemos que temos algo a ser perdoado?
Quando uma dor começa a perdurar muito em nós, percebemos que estamos presos a ela, pois sentimentos como raiva, mágoa, ódio e rancor ficam atravessados em tudo que nós vivenciamos.
Mas essa dor que perdura só se vai quando perdo-"amo"-s, quer dizer, quando passamos a amá-la.
O perdão acontece quando trabalhamos para que essa dor nos torne algo melhor, crescemos, evoluímos.
Então, o perdão advém do trabalho que realizamos em nós mesmos. É exatamente por isso que o perdão não é para o outro, mas é algo que nos liberta dessa ligação com o outro.
Mas por que é tão difícil deixar algo que nos machuca ir embora?
Em primeiro lugar, é preciso entender que não fazemos isso deliberadamente, quer dizer, não é uma escolha consciente.
Mas também não é porque não a fazemos de forma consciente que deixa de ser uma escolha nossa.
Essa escolha inconsciente de sustentar o ódio é uma defesa psíquica; estamos tentando não ter que nos haver com aquilo que causou uma ruptura em nós, seja porque nos feriu ou por não ser o que idealizamos.
É como se, através da mágoa, do rancor ou do ódio que sustentamos, estivéssemos reivindicando que o acontecido não tivesse ocorrido ou fosse diferente, porém não é possível mudar o ocorrido, e temos que suportar a realidade.
Isso significa que vamos ter que nos reprogramar, inventar um outro de nós, mudar nossas vidas, modificar nosso Eu, pois algo em nós se rompeu.
Sendo assim, nosso apego ao ódio pelo outro é a tentativa de não ter que experienciar essa ruptura que esse evento causou e todas as mudanças que ele traz. Então, sem nos darmos conta, acreditamos que a raiva que sentimos é tudo que temos para preencher esse vazio e, assim, enquanto esse sentimento perdura, conseguimos nos manter no mesmo lugar, evitando ter que nos modificar.
Mas é inevitável vivenciar as perdas, pois só assim vamos poder trocar a dor por algo melhor em nós. E, com isso, crescemos, nos transformamos, evoluímos e passamos a amar essa nossa nova versão que tivemos que trabalhar para nos tornar.
Verônica Valente

01/04/2026

Endereço

Avenida Do Contorno, 5823/Savassi
Belo Horizonte, MG
30110-017

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