12/11/2025
“Mas você nem é mãe…” — sou psicóloga infantil.
Nem sempre é fácil ouvir essa frase.
Às vezes ela vem com curiosidade, outras vezes com aquele tom que questiona a capacidade de compreender o universo infantil.
Já me senti assim — como se, por não ser mãe, eu entendesse menos.
Mas o tempo e a prática me mostraram que o que sustenta uma boa atuação não é a experiência pessoal, e sim a escuta, o estudo e o compromisso ético com o desenvolvimento de cada criança.
👩⚕️ Acredito que ser mãe é algo grandioso, transformador e cheio de aprendizados. Inclusive, quem me acompanha sabe que esse é um dos meus sonhos, viver a maternidade.
Mas a maternidade não substitui a formação profissional.
E ser profissional da infância exige algo diferente: exige técnica, atualização, sensibilidade clínica e uma escuta que vai além da vivência individual.
Nas redes, muitas vezes, vemos a maternidade ser usada como “comprovação de saber”:
como se bastasse dizer “eu entendo porque sou mãe” para validar um conteúdo ou até vender um curso sobre comportamento infantil.
Mas compreender o desenvolvimento humano requer muito mais do que vivência — requer responsabilidade científica e ética.
Da mesma forma, não ser mãe não significa ausência de sensibilidade.
Significa poder acolher a infância com um olhar livre de projeções, pautado pela escuta e pelo respeito à singularidade de cada criança e família.
💛 Que a gente fale mais sobre ética, formação e compromisso,
e menos sobre experiências pessoais como se fossem certificações.
Penso que ser mais é uma dádiva e pode te tornar um ser humano mais empático e cuidadoso.
Ser profissional da infância é uma missão, envolve estudos e conhecimento.
E quando cada papel é vivido com consciência e verdade, ambos se tornam fontes de sabedoria — cada um à sua maneira. 🌷