22/04/2022
A carga econômica global do Diabetes Mellitus (DM) deve atingir US$ 745 bilhões em 2030. A crescente prevalência da doença, principalmente o diabetes tipo 2, é resultado do envelhecimento populacional, transição nutricional, taxas crescentes de obesidade e consumo de alimentos ricos em açúcar e gordura. O Brasil é o quarto país em número de pacientes com diabetes no mundo e segue as tendências mundiais, com aumento contínuo da prevalência. Além de todas as conseqüências a saúde da população, o diabetes traz um ônus econômico por custos diretos e indiretos. Um artigo analisou as estatísticas oficiais relacionadas à saúde referentes a 2016 em nosso pais. Os resultados estimaram o ônus econômico brasileiro em US$ 2,15 bilhões (dólares) em 2016, dos quais 70,6% são custos indiretos relacionados a mortes prematuras, absenteísmo e aposentadoria precoce. Estimamos que se a taxa de crescimento da prevalência de diabetes se mantiver no Brasil, os custos diretos e indiretos do diabetes mais que dobrarão até 2030 (um aumento de 133,4% ou 6,2% ao ano). O trabalho está de acordo com a literatura que mostra que os custos indiretos são mais relevantes em países de baixa e média renda devido ao menor acesso aos cuidados de saúde, o que resulta em maiores taxas de mortalidade por doenças não transmissíveis. Devemos destacar que devido à prevalência potencialmente subestimada de diabetes no Brasil e à falta de acesso aos custos de saúde privados em todo o país, estimamos que os custos do diabetes no Brasil sejam superiores aos resultados conservadores encontrados.
Fonte: Pereda, P. et al, 2022. Custos Diretos e Indiretos do Diabetes no Brasil em 2016. Annals of Global Health , 88(1), p.14. DOI: http://doi.org/10.5334/aogh.3000