23/02/2026
O uso do Mounjaro (tirzepatida) e de outros agonistas do receptor GLP-1 está cada vez mais frequente — e isso tem impacto direto na rotina do ultrassom abdominal.
Esses medicamentos promovem retardo do esvaziamento gástrico, podendo levar à presença de conteúdo gástrico residual mesmo após jejum adequado, reduzindo a janela acústica e simulando preparo inadequado, especialmente na avaliação pancreática.
Além disso, agonistas GLP-1 estão associados à redução da motilidade vesicular, podendo levar à presença de bile espessa e lama biliar, o que pode gerar suspeita equivocada de doença biliar quando na verdade se trata de um efeito funcional da medicação.
Como discutido por Smits e Van Raalte (Diabetes Care, 2021), os agonistas do receptor GLP-1 apresentam efeitos sobre a vesícula biliar e o pâncreas, incluindo alterações da motilidade biliar e aumento do risco de eventos relacionados à vesícula, o que reforça a necessidade de interpretação cuidadosa dos achados de imagem nesses pacientes.
Por outro lado, o emagrecimento rápido associado ao uso dessas medicações também está relacionado ao aumento do risco de cálculos biliares, cólica biliar e, mais raramente, pancreatite aguda, reforçando a importância da correlação clínica na interpretação dos achados ultrassonográficos.
👉 Perguntar sobre uso de medicamentos para emagrecimento antes do exame já faz parte da boa prática em imagem abdominal.
Contexto clínico adequado evita erros diagnósticos e melhora a qualidade do laudo.
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