Psicóloga Andressa Bernardo

Psicóloga Andressa Bernardo Ajudo pessoas LGBTQIA+ (e não só) a cuidarem da saúde mental 🌈
🎓 UNESP | CRP 06/176653
Esp.

em Psicanálise e Gênero
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linktr.ee/psi.andressabernardo Atendimento de crianças, adolescentes, pessoas adultas, idosas, com deficiência, população LGBT+, casais e famílias

Qual é o tamanho que alguém pode ocupar dentro da gente sem que a gente se dê conta?A notícia da passagem de um colega d...
14/01/2026

Qual é o tamanho que alguém pode ocupar dentro da gente sem que a gente se dê conta?
A notícia da passagem de um colega de trabalho me atravessou.

A última vez que o encontrei, eu não disfarcei o contentamento. Cheguei contando para minha namorada como foi bom reencontrá-lo. Contei que f**ava feliz que alguém como ele estivesse trabalhando onde estava. Quando eu era adolescente me entendendo enquanto LGBTQIA+, ele e o namorado eram referências. Sem precisar dizer nada, mostravam que era possível existir de um jeito que eu podia me reconhecer. Compartilhavamos da mesma religião conservadora e que naquele momento me oprimia de viver esse tipo de amor, enquanto ele resistia dentro desse espaço. Vizinho de afeto, de futuro, de possibilidade.

Anos depois, volto para a mesma cidade que ele. Encontro uma pessoa que, além de ter sido referência para mim na adolescência, havia se tornado referência pessoal e profissional para muitas outras pessoas profissionalmente, inclusive pra mim. Numa cidade conservadora e dura com a população LGBTQIA+ ele ocupou um espaço signif**ativo, segurou a barra e fez a diferença. É uma perda que talvez nem todos consigam dimensionar, mas quem está perto sabe o tamanho.

Disruptivo, generoso com o riso, com a presença, com a criação. Me vejo nesse espelho. Também sou uma pessoa LGBTQIA+ vivendo e trabalhando numa cidade que nem sempre está disposta a nos receber. Também conheço o esforço de continuar abrindo espaço, atendendo, construindo comunidade, segurando dores que a cidade não nomeia.

O que f**a dele em mim é tudo isso. Mas também um chamado: olhar com mais cuidado para quem está perto e cultivar relações que façam o mesmo. Hoje foi um dia de perda por aqui.

Antes da batalha final, Will se assume para amigos e família. É um momento bonito, mas é ficção.Na vida real, se assumir...
13/01/2026

Antes da batalha final, Will se assume para amigos e família. É um momento bonito, mas é ficção.
Na vida real, se assumir não tem roteiro, não tem espetáculo e não tem formato obrigatório.
Cada pessoa encontra seu jeito, seu tempo e seu contexto.
E o mais importante: segurança, acolhimento e possibilidade de existir.

Dezembro foi uma mistura de trabalho com cara de férias, e férias tentando esquecer um pouco do trabalho. Estar perto da...
12/01/2026

Dezembro foi uma mistura de trabalho com cara de férias, e férias tentando esquecer um pouco do trabalho. Estar perto da praia e do mar fez diferença. Foi importante viver um lazer que vem do meu próprio esforço e, além disso, poder cuidar de quem eu gosto, estar perto, oferecer coisas boas, descansar e colocar a vida em dia.

Eu já não me sinto igual ao início das férias. Descansar faz diferença. Sair do modo de produção também.

E é aqui que eu fico pensando no quanto o descanso qualif**a o meu trabalho: volto mais presente, mais lúcida e com capacidade real de acompanhar o outro.

Que a gente siga buscando ritmos mais humanos.

Baseadas em um roteiro heteronormativo do que seria uma “vida que deu certo”, as “metas de ano novo” muitas vezes trazem...
09/01/2026

Baseadas em um roteiro heteronormativo do que seria uma “vida que deu certo”, as “metas de ano novo” muitas vezes trazem mais pressão de uma vida “perfeita” do que se baseia na realidade.

Só que pessoas LGBTQIA+ não são obrigadas a caber nesse roteiro. Nem sempre queremos (ou podemos) seguir a mesma ordem, o mesmo tempo ou o mesmo destino.
E isso não é falta, nem atraso, é diferença.

É o que Jack Halberstam chama de “tempo/futuro q***r”: a invenção de outros jeitos de crescer, amar, se relacionar, criar vínculos, construir autonomia, e imaginar a vida adulta para além do padrão.

Se o roteiro não serve, a gente cria outros.

Que 2026 seja um ano para inventar futuros que te acolham, e não para tentar caber em expectativas que nunca te consideraram.

O futuro também pode ser q***r.

Em Stranger Things, a música abre uma fresta para a Max.E isso sempre me lembra de todas as músicas que já me tiraram de...
30/12/2025

Em Stranger Things, a música abre uma fresta para a Max.
E isso sempre me lembra de todas as músicas que já me tiraram de alguma situação de sofrimento, mesmo que só por aqueles minutos em que eu estava ouvindo.

Elas me reconectam com outros momentos, outros sentimentos, outros pensamentos.
Funcionam como marcadores de memória, de vida, de quem eu já fui e do que já atravessei. Por isso me identifico tanto com a Max.

Claro que não é só a música que ajuda.
O que sustenta quando o sofrimento aparece é um conjunto de recursos: o corpo sente, a mente sente, as relações sentem. E é nesse atravessamento que vamos construindo combustível para suportar momentos de muita demanda.

Rever Stranger Things também é lembrar disso:
os recursos não vêm prontos.
Eles são construídos aos poucos e nos ajudam a criar distância do nosso próprio “Vecna”.

O vestido, o tom de voz, o jeito de sentar, de ocupar espaço, tudo vira negociação silenciosa. Não porque a identidade d...
25/12/2025

O vestido, o tom de voz, o jeito de sentar, de ocupar espaço, tudo vira negociação silenciosa. Não porque a identidade desaparece, mas porque a família faz de conta que não vê.

Jack Halberstam fala sobre como expressões de gênero dissidentes são toleradas apenas quando f**am invisíveis, quando não tensionam a norma. O problema é que o corpo fala mesmo quando tentam silenciá-lo.

Todo mundo percebe o esforço de adequação. O que quase nunca aparece é alguém dizendo: tá tudo bem ser quem você é.

Expressão de gênero também é linguagem.

E esse não-dito cansa.

Para muitas pessoas LGBTQIA+, a família não é um lugar de descanso. É um lugar de tensão, cobrança e silenciamento, espe...
23/12/2025

Para muitas pessoas LGBTQIA+, a família não é um lugar de descanso. É um lugar de tensão, cobrança e silenciamento, especialmente no fim do ano.

Datas comemorativas costumam reforçar um modelo único de família mas essa imagem não contempla todas as histórias.

Na clínica, escuto com frequência o peso de precisar “voltar para casa” e, ao mesmo tempo, deixar partes importantes de si do lado de fora.
Voltar para a mesa, mas não poder falar de quem se ama, por exemplo.

Quando digo que a relação familiar vai além da biologia, estou dizendo que vínculo não se impõe pelo sangue.
Ele se constrói pelo cuidado, pelo reconhecimento e pela possibilidade de existir sem se esconder.

Para muitas pessoas LGBTQIA+, a família se amplia:
amigos, redes de apoio, coletivos, parceirias, animais, lugares que acolhem.

O Natal é apresentado como uma celebração universal, mas muita gente não se reconhece nele.Isso não acontece por acaso.A...
18/12/2025

O Natal é apresentado como uma celebração universal, mas muita gente não se reconhece nele.
Isso não acontece por acaso.

Apesar de hoje ser tratado como uma tradição cristã, o Natal também tem origens pagãs, ligadas a ciclos da natureza, passagem do tempo e encerramento de fases. Com o tempo, essa celebração foi apropriada pelo cristianismo e pelo capitalismo, transformada em um grande evento de consumo, que vende não só produtos, mas também ideias muito específ**as de afeto, família e felicidade.

Nesse modelo, existe uma família ideal, uma forma “certa” de amar, de se reunir, de celebrar. Quem não cabe nisso muitas vezes f**a à margem. Para pessoas LGBTQIA+, esse período pode evidenciar exclusões antigas, rejeições familiares e a sensação de não pertencer.

Talvez seja importante abrir espaço para outras leituras desse momento.
Pensar o fim de ano não apenas como uma celebração familiar tradicional, mas como um tempo de fechamento de ciclos, de cuidado com os vínculos que realmente nos sustentam, e de reconhecimento dos afetos que construímos ao longo da vida.

Família não tem um modelo único.
Para muitas pessoas LGBTQIA+ ela é ampliada, escolhida, extensa. Pode incluir amizades, companheiras e companheiros, animais, presenças simbólicas, ancestrais, seres encantados, redes de cuidado num geral.

Celebrar, se for possível, pode ser isso:
honrar os afetos que existem e respeitar também quando não há o que celebrar.

O apoio emocional entre pessoas é importante, cria vínculo e pertencimento.Mas cuidado psicológico, psicossocial e clíni...
16/12/2025

O apoio emocional entre pessoas é importante, cria vínculo e pertencimento.
Mas cuidado psicológico, psicossocial e clínico exige formação, técnica, ética e responsabilidade.

Vulnerabilidades sociais, situações de violência, sofrimento psíquico intenso e crises não podem ser tratadas como improviso ou boa vontade.
Quando alguém sem formação oferece “terapia”, mesmo com boas intenções, o risco é revitimizar, silenciar ou colocar a pessoa em perigo.

Psicologia é ciência.

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Ajudar alguém a não cair em falsas terapias.

Muitas mulheres crescem aprendendo que constituir uma família não é uma escolha, mas um destino. Um dever. Algo a ser su...
09/12/2025

Muitas mulheres crescem aprendendo que constituir uma família não é uma escolha, mas um destino. Um dever. Algo a ser sustentado a qualquer custo. Mesmo quando dói. Mesmo quando ameaça a própria vida.

Não é raro que, em nome dessa ideia de família, sinais evidentes de agressividade sejam minimizados, racionalizados ou negados. “Ele só perde a cabeça”, “não é sempre”, “no fundo é um bom pai”, “família é assim”. E o que muitas vezes aparece como escolha individual é, na verdade, repetição: de valores herdados, de silêncios ensinados, de pactos familiares que atravessam gerações.

A dificuldade de nomear a violência não nasce do nada. Ela é produzida. Produzida por uma cultura que ensina mulheres a suportar, compreender, cuidar e manter mesmo quando isso signif**a apagar a própria percepção, o desejo, o limite.

Diante do aumento brutal dos feminicídios, essa pergunta precisa ser feita com urgência:
que tipo de família estamos tentando salvar?
E a que preço?

A clínica, a análise, a terapia não prometem uma “família ideal”, mas a possibilidade de distinguir herança de desejo. De interromper repetições. De perguntar, “que tipo de vínculo faz sentido para mim?” e quais violências não precisam mais ser confundidas com amor, cuidado ou pertencimento.

Pensar a família também é um trabalho político.
E, muitas vezes, sobreviver passa por reinventá-la ou recusá-la.

O que começa com um “você tá exagerando”, “se acalma”, “você é muito histérica” raramente f**a só nisso.A misoginia coti...
04/12/2025

O que começa com um “você tá exagerando”, “se acalma”, “você é muito histérica” raramente f**a só nisso.
A misoginia cotidiana não mora apenas nos grandes crimes que viram manchete, ela se instala primeiro nos pequenos gestos de deslegitimação, nos silenciamentos, no gaslighting que diz que a mulher sente “demais” ou entende “de menos”.

Em Falo, a Carne Doce faz aquilo que tantas mulheres já fizeram na vida real: fala com um homem que invalida, que distorce, que tenta reduzir sua voz a um ruído incômodo.
Mas ali, na ironia da letra, aparece algo sério:
o mesmo homem que chama uma mulher de histérica é o homem que sustenta a cultura que permite o feminicídio.

Porque o feminicídio não nasce do nada.
Ele nasce desse caldo.
Dessa estrutura.
Desses discursos que parecem pequenos, mas que organizam o mundo a favor da violência.

Esse post é para que principalmente homens vejam e quero mais que se incomodem.
Porque o feminicídio é um problema de toda uma sociedade mas principalmente dos homens, um problema que só muda quando eles olham para aquilo que preferem não ver.

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