14/09/2021
MOÇÃO DE REPÚDIO
Recentemente o Jornal O Globo trouxe a luz uma situação que a APSIBRAP – Associação dos Psicólogos de Bragança Paulista e Região, considera de extrema gravidade. O Tribunal de Justiça em alguns estados do país, conforme reportagem, tem adotado métodos invasivos para apurar denúncias feitas por mulheres agredidas por seus companheiros, além de outras denúncias. O caso chama a atenção dos profissionais da saúde mental pois é do entendimento destes, especialmente dos psicólogos, que já existe um grande equívoco, quanto ao modelo utilizado para a Escuta.
Entendem os psicólogos que as vítimas não devem ser submetidas a escutas não profissionais em sítios inadequados. O cenário é invariavelmente o mesmo: Uma autoridade policial é chamada e faz a escuta, a vítima conduzida a delegacia é submetida novamente a escuta, passa pela promotoria, pelo advogado, pelos recepcionistas dos hospitais, pela enfermagem, pelo médico. Nem sempre, os atendentes estão aparelhados para tal, assim a vítima é submetida a um sofrimento extremo, sem contar aqui com a acusação que lhe é imputada. Embora não trate especificamente deste assunto, a matéria jornalística enveredando por outro caminho o uso da Constelação Familiar, descortina também esta realidade.
A Constelação Familiar é um método utilizado com o objetivo de resolver questões que eclodem no meio familiar. A utilização deste método, que tem um derivativo do Psicodrama e da dramatização, tem sido questionado pelos psicólogos por conta de não ter fundamentação científica, mas fundamentalmente por estar sendo utilizado por profissionais que não estão habilitados para lidar com as questões relacionadas a saúde mental. Advogados, engenheiros, administradores de empresa, entre outras, fazem cursos rápidos e começam a aplicar a tal Constelação Familiar.
O Jornal relata em sua reportagem o sentimento destas pessoas que são submetidas a tal esdrúxula, agressiva e invasiva forma de busca na resolução do conflito.
Repudiamos veementemente, conclamamos, com toda ênfase, uma clara posição dos Conselhos Regionais e do Conselho Federal de Psicologia. Com maior especificidade lembramos aos senhores Magistrados que podem os mesmos, além de causar danos de grande magnitude, além de trilharem pelo caminho do masoquismo, podem também incorrer em questões legais como o exercício ilegal da profissão dos que aplicam a tal Constelação Familiar.
A APSIBRAP, vem a público, convida os demais colegas de outras associações espalhadas pelo país, dos conselhos de classe que se juntem em um protesto exigindo, como o estamos fazendo, que esta forma seja extinta imediatamente e que psicólogos, assistente sociais entre outras profissões ligadas a saúde e assistência a saúde, sejam respeitados e passem a exercer a escuta profissional especialmente em casos de Violência física, moral e sexual.
Bragança Paulista, 14 de setembro de 2021
Mauro Hollo – Presidente Gestão 2020-2022
ASSOCIAÇÃO DOS PSICÓLOGOS DE BRAGANÇA PAULISTA E REGIÃO