11/02/2026
Carta publicada com a autorização da paciente Carrego dentro de mim uma dor que nunca escolhi ter.
Uma lembrança que não pedi, uma marca que não aparece na pele, mas que por muito tempo pesou na minha alma todos os dias.
Durante muito tempo eu tentei fingir que não existia.
Sorri quando queria chorar.
Disse que estava tudo bem quando por dentro eu me sentia em pedaços.
O silêncio virou meu esconderijo… mas também virou minha prisão.
Existem dores que ninguém vê,
mas quem carrega sente em cada detalhe da vida.
No medo ao andar sozinha,
no susto com um toque inesperado,
na desconfiança que nasce sem querer.
E o mais difícil não foi só o que aconteceu…
foi o depois.
A vergonha que não era minha.
A culpa que nunca me pertenceu.
O peso de achar que eu precisava ser forte o tempo todo.
Hoje eu entendo que sobreviver já é um ato de coragem imenso.
Levantar todos os dias, mesmo com o coração cansado,
já é vitória.
Respirar fundo e continuar… também é força.
Escrevo isso não para reviver dor,
mas para libertar a voz que ficou presa por tanto tempo.
Porque quando a gente fala, a dor perde um pouco do poder.
E quando alguém lê e se identifica, o silêncio deixa de ser solidão.
Eu ainda estou me reconstruindo,
aos poucos, no meu tempo,
mas hoje eu sei que o que aconteceu não define quem eu sou.
Eu sou mais do que a minha dor.
Mais do que o meu passado.
Mais do que o que tentaram tirar de mim.
E se essa mensagem alcançar alguém que precisava de um sinal,
que ela seja um abraço em forma de palavras.
Porque ninguém deveria carregar esse peso em silêncio.
E mesmo machucados… ainda somos inteiros.