18/01/2024
Livro excelente recomendado pela amiga e colega , a autora vai das dimensões pessoais da manifestação do racismo branco até seu impacto institucional, mostrando como o pacto narcísico da branquitude perpetua o/a branco/a no poder e exclui a/o negra/o.
De maneira acessível e pungente a autora me deixou desconfortável e atento ao fenômeno do racismo e sua manifestação em mim. Ótimo! Esse desconforto tem que ser parte do meu cotidiano psi, me deslocando do conforto epistêmico e lugar de poder e segurança terapêutico, me pondo em contato comigo e me questionando como faço clínica.
Dito isso gostaria de lembrar aos meus e minhas colegas brancos e brancas: você não é europeu. Sua branquitude não vale na Europa ou nos Estados Umidos. A todo momento que você não questiona seu lugar de fala, agência e privilégio, é mantida a dominação (pós)colonial do nosso país e continente, enquanto persiste o triste e ilusório orgulho de ser um/uma branco/a de segunda categoria. Olhe para essa branquitude que vai além da cor da pele e conta uma história de opressão e dominação, de violência e privilégio e se pergunte se isso faz sentido para nós latinos/as, os oprimidos dos opressores, que reproduzem sua opressão na população negra do país.
O pacto narcísico da branquitude pode existir sem crítica e desconstrução num consultório psi? O “NÃO” é categórico e inegociável.