Um simples complexo

Um simples complexo Psicólogo clínica, clínica antropocultural e hipnoterapia.

Livro excelente recomendado pela amiga e colega , a autora vai das dimensões pessoais da manifestação do racismo branco ...
18/01/2024

Livro excelente recomendado pela amiga e colega , a autora vai das dimensões pessoais da manifestação do racismo branco até seu impacto institucional, mostrando como o pacto narcísico da branquitude perpetua o/a branco/a no poder e exclui a/o negra/o.

De maneira acessível e pungente a autora me deixou desconfortável e atento ao fenômeno do racismo e sua manifestação em mim. Ótimo! Esse desconforto tem que ser parte do meu cotidiano psi, me deslocando do conforto epistêmico e lugar de poder e segurança terapêutico, me pondo em contato comigo e me questionando como faço clínica.

Dito isso gostaria de lembrar aos meus e minhas colegas brancos e brancas: você não é europeu. Sua branquitude não vale na Europa ou nos Estados Umidos. A todo momento que você não questiona seu lugar de fala, agência e privilégio, é mantida a dominação (pós)colonial do nosso país e continente, enquanto persiste o triste e ilusório orgulho de ser um/uma branco/a de segunda categoria. Olhe para essa branquitude que vai além da cor da pele e conta uma história de opressão e dominação, de violência e privilégio e se pergunte se isso faz sentido para nós latinos/as, os oprimidos dos opressores, que reproduzem sua opressão na população negra do país.

O pacto narcísico da branquitude pode existir sem crítica e desconstrução num consultório psi? O “NÃO” é categórico e inegociável.

Sempre que leio obras da psicanálise me surpreendo com sua capacidade descritiva e construção teórica. Assim vou confirm...
22/08/2023

Sempre que leio obras da psicanálise me surpreendo com sua capacidade descritiva e construção teórica. Assim vou confirmando uma opinião particular sobre essa escola clínica: é uma extraordinária entnografia do psiquismo, com seu próprio arcabouço epistêmico sofisticado.

Portanto o problema das psicanálises é sempre o mesmo: esse arcabouço limita a descrição etnográf**a quando o fenômeno subjetivo não se enquadra na proposta do saber clínico. Isso gera um paradoxo na sua produção de conhecimento: encontrar no paciente aquilo que a teoria supõe ser o processo psíquico adoecido à revelia de uma produção subjetiva que não se enquadra nas categorias de fenômenos psíquicos descritos pela psicanálise: o famoso leito de procusto.

Então, como Contardo Caligaris, psicanalista, me pergunto, sem ser psicanalista, o que é mais importante: 1) construir sentido e ressignif**ação a partir do relato do sujeito usando arcabouços teóricos variados como ferramentas de inteligibilidade (assim como faz a etnografia) e pensar técnicas de intervenção subjetivas, 2) ou reiterar a episteme psicanalítica ao buscar no sujeito as descrições e reproduções do arcabouço?

Prefiro o primeiro. É mais difícil, exige mais atenção, mais leitura, mais interdisciplinaridade e rigor epistêmico para produzir uma gnosiologia clínica com consistência interna.

Finalmente sobre o livro do Reich: uma deleitável etnografia sobre como virilidades da época moldavam o aparato psíquico - caráter -, agência social, sexualidade e couraça - corpo - dos sujeitos daquele tempo histórico. Sem esquecer o mérito de que talvez esse tenha sido o primeiro e único autor das ciências psi que tenha conseguido pensar tão sistematicamente símbolo e afeto no corpo, instância que tende a ser esquecida ou mal articulada teoricamente nas clínicas psi em geral.

Leitura recomendada e até certo ponto incontornável para uma educação psi.

Tarde no consultório.
10/08/2023

Tarde no consultório.

Ir para as ruas, como estratégia de agência  política, enfraqueceu-se durante a pandemia. Fomos tomados/as pelo medo da ...
09/03/2023

Ir para as ruas, como estratégia de agência política, enfraqueceu-se durante a pandemia. Fomos tomados/as pelo medo da infecção, a angústia da proximidade do outro e as manifestações violentas de forças de segurança que passaram a ser declaradamente instrumentos de opressão (já no carnaval nenhum dos três elementos citados anteriormente parece ter sido um problema 😏).

E sem as ruas, o que nos resta? A práxis política: participação ativa na vida do Estado, adesão e participação nas atividades do seu partido de escolha, a ação direta e a comunicativa.

Mas isso é tão defasado, né? Uma proposta do século dezenove!

Parece que cansamos disso! O problema da política é a ideologia, e como seria bom um Estado sem isso, puramente técnico, com intervenções baseadas em dados, guiadas por algoritmos que buscam tão, e somente, o bem estar de todos/as, prevendo nossas demandas, corrigindo nossos erros, dirigindo nosso progresso inesgotável!

Só que não.

Por trás de toda tecnologia, inteligência artificial, algoritmos e interpretação de dados existem mentes humanas, com afetos humanos, ideologias humanas e aspirações ao poder demasiadamente humanas.

Em suma os tecnoregimes infocráticos não tem nada de técnico, impessoal, puramente utilitário e deontológico. O que acontece é o uso da tecnologia para a manutenção do regime psicopolítico, e sobre esse tema, tenho uma outra postagem que pode explicá-lo e seu impacto sobre a vida pessoal psíquica de cada um/a de nós.

Será que a infocracia é a solução, ou só nos alienamos do eterno problema da disputa de poder e lugar de fala entre seres humanos?

É possível fazer psicoterapia sem ter conhecimento antroposocial, histórico e econômico do próprio país?Seguia o post. N...
27/02/2023

É possível fazer psicoterapia sem ter conhecimento antroposocial, histórico e econômico do próprio país?

Seguia o post. Não termina com uma resposta clara, e sim com uma pergunta tendenciosa ;)

O dever de ser dos nossos pais e avós foi substituído pelo nosso poder de vir a ser: a auto-aprimoração e auto-otimizaçã...
15/02/2023

O dever de ser dos nossos pais e avós foi substituído pelo nosso poder de vir a ser: a auto-aprimoração e auto-otimização são as ordens do dia, ou melhor, os desejos do dia. Entretanto nos iludimos ao imaginar que o fazemos pelo nosso bem-estar, pelo nosso projeto existencial. Quem pede, coage, seduz o sujeito em direção a essa agência individual é o capital neoliberal, que leva a ele/ela a ideia de que a vida é empreendimento.

Assim vamos adiante, despejando toneladas de bytes de informação sobre quem somos e o que desejamos, como estamos nos tornando melhores, mais eficientes e mais saudáveis, ou mais revoltados/as, sempre dentro das opções oferecidas pelas ontologias capitalistas.

Alimentamos incessantemente as redes sociais, sites, portais, apps com dados sobre nossas existências. Não recebemos nada por isso a não ser uma singela secreção seritoninérgica e um reforço efêmero do nosso instinto social. Já as empresas e seus proprietários/as, acumulam petabytes de psicogramas que serão capitalizados comercializados com o intuito de nos “satisfaze/saciar” e os enriquecer/empoderar.

De Big Data ao micro targeting, do esvaziamento voluntário da agência política do sujeito que se torna um/a espectador/a da vida intima dos políticos, da gamif**ação do cotidiano até o adoecimento mental dos seus/suas jogadores/as, a Psicopolítica é a nova ordem das sociedades humanas.

O corpo não será mais disciplinado, a vigilância não será mais a ferramenta do controle institucional, as estatísticas perderão seu poder generalizante. Agora será proposto o consumo de emoções sem impacto existencial (fast-food para a alma); a perene competição entre seres humanos (uma mistura grotesca de Hobbes/Friedman/Darwin - muito mal lido) e o healing e soft-skills como sendo panaceia e técnicas de existência, que não são mais do que grandes ajustes de treinamentos do RH neoliberal para seus sujeitos/produtos. Tudo feito certinho pra você, porque afinal de contas, quem te conhece melhor do que você mesmo? Seus dados.

Livro acessível e revelador. Recomendo MUITO sua leitura.

O cérebro tem sido o órgão humano mais estudado nos últimos trinta anos. A evolução de tecnologias de imagem nos permiti...
06/02/2023

O cérebro tem sido o órgão humano mais estudado nos últimos trinta anos. A evolução de tecnologias de imagem nos permitiram um acesso extraordinário ao seu funcionamento saudável e suas patologias, esclarecendo seus mecanismos fisiológicos e a relação com certos fenômenos cognitivos.

Nesse livro, extremamente acessível, o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho apresenta o órgão de forma clara e intrigante para quem quer que o leia.

E porque é importante conhecer/saber sobre o cérebro? Estamos num momento sóciohistórico em que as patologias físicas e sofrimento mental são preponderantes em todas as sociedades humanas; em que interfaces cérebro/máquina estão cada vez mais intensas, com propostas transhumanistas de integração; e, finalmente, o discurso biopolítico, e suas realidades técnicas, tem se tornado comuns no nosso cotidiano, fazendo ser fundamental conhecer a própria dimensão fisiológica e mental.

Para evitar cair em papos de “hackear” o cérebro, para entender o que pode estar acontecendo com você numa realidade neurológica, para se familiarizar com esse órgão cada vez mais crítico para o cotidiano das sociedades psicopolíticas, vai essa sugestão.

Boa leitura!

Um filósofo que já está na praça há um certo tempo e que finalmente se colocou firmemente no mercado editorial e academi...
30/01/2023

Um filósofo que já está na praça há um certo tempo e que finalmente se colocou firmemente no mercado editorial e academia brasileira.

Se Bauman é bom, Han é excelente. Nesse pequeno livro, de referências filosóf**as e literárias contemporâneas, o autor traça a relação entre industrialização/neoliberalismo, excesso de informação das mídias sociais e as características da sociedade da vigilância como os três fatores principais do cansaço.

E o que é o cansaço? É burn-out, depressão, a impossibilidade de ser para o mundo das ontologia capitalistas que espera performances maquínicas de produção laboral e midiáticas de si.

Essa semana vai sair um Drops sobre como se constrói esse cansaço. Talvez, a partir dele você possa começar a pensar com mais profundidade como se dá e como você se relaciona com seu cansaço, e entender porque estamos duplamente fadados ao cansaço numa ex-colônia.

Boa semana!

Finalmente lidos todos os três tomos da História da Virilidade. Confesso que cheguei entusiasmado no terceiro volume e… ...
27/01/2023

Finalmente lidos todos os três tomos da História da Virilidade. Confesso que cheguei entusiasmado no terceiro volume e… me decepcionei. A qualidade dos textos, suas análises e ponderações são inegavelmente excelentes - mesmo que a forma dos textos seja academicamente entediante na sua necessidade de ser pro forma -.

Entretanto, mesmo o capítulo - o único sobre virilidades coloniais e pós coloniais - é de um eurocêntrismo desanimador. Mais uma vez a França acha que é o centro do mundo, de onde irradia todo o conhecimento das ciências sociais, se trancafiando num monotopismo do conhecimento que dá uma preguiça - já diria Macunaíma -.

Não há um único, uma única, autor/ra sul-americano, asiático, africano, entre quem contribuiu para os tomos, portanto dando a entender que as virilidades das ex-colônias são alguma reprodução ou variação das europeias ou ocidentais.

Inclusive, aquele único capítulo sobre virilidades coloniais e pós-coloniais, é escrito a partir da ótica de uma historiadora francesa, branca, erradicada e que produz na França.

Pergunta aos compiladores dos três volumes: já leram Spivak? Já fizeram sua autocrítica eurocentrica? Não existem autores/as no resto do mundo todo (não faltam e produzem com uma extraordinária qualidade e quantidade!) que pudessem ser incluídos nessas obras?

E vocês colegas latino-americanos/as, o que acham disso?

Tudo pronto para dar aula amanhã na Unb, a convite do querido professor e colega  .A proposta? Responder a pergunta que ...
11/12/2022

Tudo pronto para dar aula amanhã na Unb, a convite do querido professor e colega .

A proposta? Responder a pergunta que assola todo/a/e etnopsicólogo/a/e: o que é e como funciona essa clínica psi?

Caso seja possível gravar o conteúdo, irei colocar algumas partes aqui e outras no YouTube.

Obs: Sou um fã do lápis e da folha. Tudo acaba escrito e organizado de forma bem subjetiva 😂

Que livro divertido, revelador, chocante e terrivelmente europeu/continental na sua articulação teórico-clínica psicanal...
05/12/2022

Que livro divertido, revelador, chocante e terrivelmente europeu/continental na sua articulação teórico-clínica psicanalítica.

Ao longo dos vários textos que o compõem, a autora irá apresentar alguns conceitos muito interessantes que serão expostos e articulados - a claustrofilia e a síndrome de Estocolmo, entre outros - para falar das famílias ocidentais contemporâneas e certas formas de sofrimento psíquico que as permeiam.

L. Pigozzi escreve bem, seu estilo sendo rico em referência e denso em articulação, que pode ser lido por leigas/os ou especialistas.

Entretanto, contudo, todavia…

Gostaria de lembrar que os sujeitos, cujos casos clínicos são apresentados para embasar suas análises teóricas, são todos/as italianos/as. Em outras palavras, são uma amostragem com características afetivo-sociais latinas e europeias.

Há correspondência com dinâmicas familiares/maternais/paternais brasileiras? Em alguma medida sim, em outra não. Quer saber onde f**a esquisito para pessoas de outro ocidente? Leia e me fale/pergunte por aqui ;)

Algumas observações devem ser feitas sobre o uso que se faz do conceito Psicologia Clínica, começando pela sua vastidão ...
17/11/2022

Algumas observações devem ser feitas sobre o uso que se faz do conceito Psicologia Clínica, começando pela sua vastidão e heterogeneidade, sendo este um campo disciplinar conformado por várias abordagens, cada qual munida de núcleos axiomáticos, metodologias, técnicas e intervenções próprias. Além do que, para também não ser generalizante nem redutor, é necessário definir que quando me refiro à clínica da psicologia não estou mencionando seu desenvolvimento experimental laboratorial, e sim o modelo de intervenção que se faz num encontro intersubjetivo, conversacional, em um cenário ou local, que devido à sua territorialização institucional, é compreendido como clínico e onde se desenvolvem atividades psicoterapêuticas. Finalmente, ao me referir a essa démarche, estou me centrando sobe as abordagens definidas como psicodinâmicas, em particular sobre a psicanálise de Freud e outras leituras psicanalíticas dela, tais como a de Georges Devereux.

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