02/12/2025
A história do Gerson expõe algo que muita gente não percebe: no Brasil, saúde mental não falha só nos casos graves. Falha em tudo. Falha no básico. Falha no início. Falha na continuidade. Falha porque não existe uma rede que realmente sustente alguém que precisa de cuidado.
Quando uma pessoa apresenta sofrimento psíquico, o que costuma acontecer é uma passagem silenciosa por vários sistemas que não foram feitos para isso. A escola tenta manejar como pode. A família se vê perdida. A assistência não tem braço. A saúde não tem estrutura. E a pessoa vai f**ando cada vez mais invisível, cada vez mais rotulada, cada vez mais longe da ajuda que realmente precisaria.
O resultado é sempre o mesmo. A gente só enxerga quando vira crise. Quando vira manchete. Quando já passou de todos os limites possíveis.
Falar sobre isso não é apontar culpados. É lembrar que saúde mental não é detalhe. Não é frescura. Não é problema a ser empurrado. É parte essencial da vida. E enquanto continuar sendo tratada como algo secundário, vamos repetir histórias que nunca deveriam ter acontecido.