04/07/2020
E vamos então falar de um tema muito presente na psicoterapia nossa de cada dia, nas rodas de conversas, nos desabafos, nos desconfortos, no silêncio, mas quase sempre ali. Resolvi trazer pra cá essa reflexão porquê gosto do que toca, sobre as feridinhas ali que passam despercebidas e se manifestam das mais diferentes maneiras.
Primeiro partimos da ideia de que o ciúme é um sentimento natural e é importante olharmos a natureza dele.
E é difícil abordar esse assunto se partirmos do pressuposto que homens e mulheres são influenciados por socializações totalmente distintas mas que, de alguma forma, todos nós em algum momento temos que lidar com aspectos nossos que consideramos negativos, vergonhosos e todos aqueles que habitam nossa sombra e nos colocam em posições totalmente vulneráveis... E olha eu de novo falando sobre •vulnerabilidade•... É que esses dias eu estava me questionando essa necessidade de controle sobre tudo, sobre inseguranças e traumas quase que irreparáveis tão presentes principalmente em mulheres. Mas sabe o que é? Isso diz muito como a gente se relaciona com a gente mesmo, sabe? E como todo momento o externo reforça a todo instante quase que uma obrigação de competir, rebaixar, diminuir nosso valor pautado no outro. E é triste! Em algum momento aprendemos que se não formos boa o suficiente perderemos. De forma consciente ou não buscamos controlar •cada•aspecto•do•nosso•simples•existir como se de fato dependesse disso. E não depende.
Me lembro sempre da fala de uma outra pessoa, mulher que admiro acima de tudo intelectualmente, dizendo: "Se relacionar é estar vulnerável". E é. É o simples & complexo ESTAR. E só. Não é sobre controle. A gente gasta muita energia e disponibilidade na tentativa de prever e controlar todo e qualquer tipo de acontecimento baseado na nossa própria vivência, nos nossos traumas, nas nossas dores e depositamos essa expectativa de conserto no outro. E nesse movimento esquecemos também que não é nossa responsabilidade o que o outro decide fazer.
Estar vulnerável pode ser difícil, mas não precisa ser. É sua a responsabilidade de curar suas próprias feridas, abraçar suas necessidades, entender seus próprios limites.