10/03/2026
Mudar o profissional que acompanha uma criança atípica pode parecer algo simples.
Mas, para muitas crianças, essa mudança pode representar um grande desafio.
Crianças com alterações no neurodesenvolvimento frequentemente precisam de tempo para construir vínculo, confiança e previsibilidade dentro do processo terapêutico. Esse vínculo não acontece apenas pela técnica aplicada, mas também pela relação que se constrói sessão após sessão.
Quando ocorre a troca de profissional, a criança pode precisar reconstruir esse processo, o que pode gerar insegurança, menor engajamento inicial ou necessidade de adaptação às novas formas de interação.
Além do vínculo terapêutico, outros aspectos também podem ser impactados, como
• regulação emocional
• continuidade das estratégias terapêuticas
• compreensão do perfil sensorial da criança
• parceria com a família
• sensação de segurança durante as sessões
Isso não significa que mudanças não possam acontecer. Em muitos contextos elas são inevitáveis. O ponto central é como essa transição é conduzida.
Quando há transição planejada, compartilhamento de informações clínicas e alinhamento com a família, é possível reduzir impactos e preservar a continuidade do cuidado.
O desenvolvimento infantil acontece dentro de relações seguras, consistentes e significativas.
Por isso, no cuidado com crianças atípicas, o vínculo também é parte da intervenção.
Referências
Ayres, A. J. (1972). Sensory Integration and Learning Disorders.
Dunn, W. (2014). Sensory Profile 2.
Schaaf, R. C., & Mailloux, Z. (2015). Clinician’s Guide for Implementing Ayres Sensory Integration®.
Case-Smith, J., & O’Brien, J. (2020). Occupational Therapy for Children and Adolescents.