Dr Leandro Machado

Dr Leandro Machado Infectologia pelo HUB/UnB
Mestre em infectologia e medicina tropical-UnB

Infectologia do Hospital Brasília
Médico do Núcleo de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde - Hospital Brasília

01/03/2026

Alguns alimentos podem atuar como gatilho em pessoas com herpes simples de repetição, especialmente quando há consumo excessivo ou associação com outros fatores como estresse e privação de sono. A evidência científ**a não sustenta listas extensas de proibições, mas aponta alguns pontos relevantes.

O primeiro grupo envolve alimentos ricos em arginina, aminoácido utilizado pelo vírus herpes simplex (HSV) no seu processo de replicação. Entre eles estão o chocolate (especialmente cacau), o amendoim e as nozes e castanhas quando consumidas em excesso. A relação entre arginina e replicação viral é bem estabelecida em estudos laboratoriais, e observações clínicas sugerem que indivíduos suscetíveis podem apresentar reativações após ingestão elevada desses alimentos. Não se trata de proibição absoluta, mas de observar padrão individual.

Outro ponto com base mecanística mais consistente é o uso de suplementos contendo arginina isolada. Diferente do consumo alimentar habitual, a suplementação pode elevar signif**ativamente os níveis circulantes desse aminoácido, criando um ambiente metabólico mais favorável à replicação viral.

Por fim, o consumo excessivo de álcool também merece atenção. Embora não atue diretamente sobre a arginina, o álcool reduz a resposta imune celular, aumenta inflamação sistêmica e prejudica o sono — fatores reconhecidos como desencadeadores de reativação do HSV.

Em resumo, não existe uma “dieta proibida” para herpes. O que a ciência sugere é cautela com excesso de alimentos ricos em arginina, evitar suplementação de arginina e moderar o consumo de álcool, sempre considerando a susceptibilidade individual.

28/02/2026

Depois a vida adulta chegou — e com ela o estresse, as noites mal dormidas, a alimentação corrida, a sobrecarga mental.

E sabe quem sente tudo isso?
O sistema imunológico.

Muita gente que sofre com infecção de repetição não percebe que o corpo está apenas respondendo a anos de desgaste.
Imunidade não é só “não f**ar doente”.
É equilíbrio entre sono, metabolismo, saúde mental, microbiota e resposta inflamatória.

Quando esse equilíbrio quebra, as infecções deixam de ser episódio e viram padrão.

Não é nostalgia da infância.
É ciência.

Cuidar da imunidade é reconstruir a base que a vida adulta desorganizou.

27/02/2026

Herpes de repetição é uma condição comum, mas ainda cercada de mitos.

Após a infecção inicial pelo HSV-1 ou HSV-2, o vírus migra pelos nervos e permanece em latência nos gânglios sensitivos. Ele não é eliminado do corpo — pode reativar periodicamente, dependendo da interação entre vírus e sistema imune.

Aqui estão 10 pontos essenciais:

1️⃣ Não é reinfecção.
A crise é reativação do vírus já presente no organismo.

2️⃣ O vírus f**a latente no nervo.
Essa é a razão das recorrências.

3️⃣ Pródromo é sinal precoce.
Formigamento e ardor indicam início da replicação viral.

4️⃣ Sono ruim facilita reativação.
Impacta a resposta imune celular.

5️⃣ Sol é gatilho comum.
Principalmente no herpes labial.

6️⃣ Antiviral precoce reduz intensidade.
Iniciar na fase inicial muda o curso da crise.

7️⃣ Com o tempo pode melhorar.
Muitos pacientes têm menos episódios ao longo dos anos.

8️⃣ Pode transmitir sem lesão.
Existe eliminação viral assintomática.

9️⃣ Imunidade individual influencia frequência.
Diferenças na resposta imune explicam recorrências mais intensas em alguns pacientes.

🔟 Tratamento supressivo é opção baseada em evidência.
Indicado para quem tem múltiplas crises ao ano.

Herpes de repetição não é falta de cuidado.
É uma condição virológica que exige estratégia — não apenas tratamento pontual.

27/02/2026

Tenho acompanhado o serviço de Erros Inatos da Imunidade no Hospital das Clínicas da USP, e essa vivência tem sido um mergulho ainda mais profundo na imunologia clínica.

Quem trabalha com infecções de repetição sabe que, muitas vezes, o problema não está apenas no microrganismo, mas na forma como o sistema imune responde — ou deixa de responder. E compreender isso exige ir além do básico, além do protocolo, além da conduta automática. Exige discutir casos complexos, revisar conceitos, entender subpopulações linfocitárias, função de anticorpos, genética aplicada, indicação criteriosa de imunoglobulina e imunobiológicos. É medicina construída no detalhe.

Mesmo depois da residência, do mestrado e de anos atendendo pacientes com imunodeficiência e infecções recorrentes, continuo escolhendo ambientes que me desafiem intelectualmente. Porque a medicina evolui. A ciência avança. E o raciocínio clínico precisa evoluir junto.

Cada discussão que acontece aqui amplia minha visão e refina meu olhar para o paciente real, aquele que chega ao consultório com uma história longa de infecções, frustrações e tentativas de tratamento.

Buscar conhecimento não é sobre currículo.
É sobre nunca se acomodar.

E essa construção contínua é o que sustenta uma medicina mais precisa, mais profunda e mais individualizada.

20/02/2026

Consideramos recorrente quando ocorrem 2 episódios em 6 meses ou 3 em 1 ano. Antes de pensar em prevenção, é essencial confirmar o diagnóstico. Nem toda ardência ao urinar é infecção. Sempre que possível, o episódio deve ser documentado com urocultura e é fundamental excluir condições que imitam ITU, como candidíase, vaginose, atrofia vaginal na menopausa, dor do assoalho pélvico ou cistite intersticial.

Também não se deve tratar bactéria na urina sem sintomas. Isso aumenta a resistência bacteriana e pode piorar o problema.

Após confirmar o diagnóstico, a investigação deve ser individualizada. Avaliamos relação com atividade sexual, uso repetido de antibióticos, alterações glicêmicas, constipação, menopausa, esvaziamento incompleto da bexiga, cálculos urinários e, em alguns casos, alterações imunológicas.

Medidas simples já reduzem muito as recorrências: hidratação adequada, urinar após relação, tratar constipação, evitar duchas vaginais e corrigir atrofia vaginal com estrogênio local quando indicado. Só depois disso consideramos prevenção medicamentosa, que pode incluir opções não antibióticas ou, em casos específicos, antibiótico em baixa dose por tempo determinado.

Infecção urinária de repetição é um sinal de que algo precisa ser investigado. O tratamento começa pelo diagnóstico correto e por uma abordagem personalizada.

19/02/2026

1️⃣ Beba mais água todos os dias
Aumentar a ingestão hídrica reduz episódios e o uso de antibióticos.

2️⃣ Não segure a urina por longos períodos
Urinar com intervalos regulares diminui o tempo de contato da bactéria com a bexiga.

3️⃣ Urine após relação sexual
Ajuda a eliminar bactérias introduzidas na uretra.

4️⃣ Evite espermicidas e diafragma
Eles alteram o microbioma vaginal e aumentam risco de recorrência.

5️⃣ Trate constipação intestinal
Intestino preso aumenta colonização por bactérias uropatogênicas.

6️⃣ Em pós-menopausa: use estrogênio vaginal (quando indicado)
Restaura flora vaginal protetora e reduz recorrência.

7️⃣ Considere cranberry padronizado
Pode reduzir adesão da E. coli ao epitélio urinário.

8️⃣ Avalie alternativas não antibióticas como metenamina
Pode prevenir recorrência sem gerar resistência bacteriana.

9️⃣ Não trate bacteriúria assintomática
Tomar antibiótico sem sintomas aumenta resistência e piora o ciclo.

🔟 Investigue causas ocultas se as infecções persistirem
Alterações imunológicas, anatômicas ou metabólicas precisam ser avaliadas.

Essa foto não é estética.É consequência.Meus pais faliram. Não tinha dinheiro para cursinho. Consegui uma bolsa no WR, e...
17/02/2026

Essa foto não é estética.
É consequência.

Meus pais faliram. Não tinha dinheiro para cursinho. Consegui uma bolsa no WR, em Goiânia. Aquilo não era oportunidade — era responsabilidade.

Estudei como quem não tinha plano B. Passei em Medicina na UnB. E mesmo depois de aprovado, teve dia em que eu não tinha dinheiro para o ônibus de volta para casa. Teve dia de contar moeda. Teve dia de ir para aula com pressão por dentro e silêncio por fora.

Mas eu nunca parei.

Vieram residência, mestrado, infectologia na linha de frente, imunodeficiências, casos complexos. Empreendi. Estruturei clínica. Assumi risco. Aguentei pressão.

Sou autista. Descobri já adulto. Transformei diferença em força. Hiperfoco em profundidade. Intensidade em disciplina.

O Jiu-Jitsu só confirmou o que a vida já tinha ensinado: desconforto constrói. Pressão revela. Constância vence.

Nada foi dado.
Foi construído.

Sem desculpa.
Sem atalho.
Só decisão.

16/02/2026

1️⃣ Nem todo corrimento branco é candidíase

Corrimento vaginal pode ter múltiplas etiologias: vaginose bacteriana, tricomoníase, dermatites inflamatórias e vaginites não infecciosas. O diagnóstico deve ser confirmado por exame clínico e, quando necessário, microscopia ou cultura.



2️⃣ Candidíase recorrente não signif**a imunodeficiência sistêmica

A maioria das mulheres com candidíase de repetição apresenta imunidade sistêmica normal. O mecanismo está mais relacionado a resposta inflamatória mucosa desregulada do que a imunossupressão.



3️⃣ A recorrência está associada a resposta inflamatória exacerbada

Estudos recentes demonstram que, em muitos casos, a sintomatologia decorre de uma resposta imune local exagerada ao fungo, mesmo com baixa carga fúngica.



4️⃣ Uso repetido de fluconazol pode induzir resistência

Exposição frequente e sem confirmação diagnóstica pode selecionar cepas menos sensíveis, especialmente em casos de Candida não-albicans.



5️⃣ Candida glabrata responde pior ao tratamento padrão

Espécies não-albicans apresentam menor sensibilidade aos azólicos e podem exigir terapias alternativas, como ácido bórico vaginal ou esquemas prolongados.



6️⃣ Uso recorrente de antibióticos é fator de risco relevante

Antibioticoterapia altera o microbioma vaginal, reduz lactobacilos protetores e facilita supercrescimento fúngico.



7️⃣ Diabetes mal controlado aumenta risco de recorrência

Hiperglicemia favorece adesão e proliferação fúngica, além de alterar a resposta imune local.



8️⃣ Tratamento do parceiro não é rotina

A candidíase não é classif**ada como infecção sexualmente transmissível clássica. O tratamento do parceiro é indicado apenas em casos sintomáticos ou recidivas associadas.



9️⃣ Cultura vaginal é fundamental nos casos de repetição

Nos quadros recorrentes, a identif**ação da espécie e, quando possível, teste de sensibilidade orientam conduta adequada e evitam uso empírico inadequado.



🔟 Casos recorrentes exigem tratamento de manutenção

A abordagem recomendada inclui fase de indução seguida de manutenção prolongada (por exemplo, fluconazol semanal por 6 meses), reduzindo signif**ativamente o risco de novas crises.

15/02/2026

🔥 Herpes de repetição e lisina: o que quase ninguém te explica

Se você sofre com herpes recorrente, provavelmente já ouviu falar que lisina “cura”, “resolve”, “seca mais rápido”…
Mas a verdade é mais técnica — e mais interessante — do que isso.

Aqui estão 10 coisas que você precisa saber antes de sair tomando lisina por conta própria:



1️⃣ Lisina não é antiviral.

Ela não mata o vírus. Ela atua indiretamente competindo com a arginina, aminoácido que o vírus usa para se replicar.

2️⃣ Doses baixas geralmente não funcionam.

Estudos mostram que 1 g por dia ou menos tende a ter pouco efeito na prevenção de recorrência.

3️⃣ Doses mais altas têm mais chance de ajudar.

Alguns estudos sugerem benefício em doses próximas de 3 g/dia, mas os resultados ainda são inconsistentes.

4️⃣ Não é tratamento de crise aguda.

Durante a lesão ativa, aciclovir, valaciclovir e famciclovir são muito mais ef**azes.

5️⃣ Pode ajudar mais na prevenção do que na cicatrização.

Quando há benefício, ele parece estar mais relacionado à redução de recorrência, e não à duração da lesão.

6️⃣ Nem todo mundo responde.

Existem pacientes que relatam melhora importante e outros que não percebem diferença nenhuma.

7️⃣ A dieta influencia.

Alimentos ricos em arginina (como chocolate e castanhas) podem teoricamente favorecer surtos em pessoas sensíveis.

8️⃣ Não substitui tratamento supressivo.

Se você tem herpes todo mês, o que muda o jogo é antiviral supressivo — não suplemento.

9️⃣ Segurança costuma ser boa.

Em doses habituais, a lisina é bem tolerada, mas pode causar desconforto gastrointestinal em algumas pessoas.

🔟 Herpes de repetição pode ter causa imunológica.

Quando os surtos são muito frequentes, é importante investigar sono, estresse, vitamina D, zinco e até imunodeficiência leve.

Às vezes, a gente complica demais aquilo que é básico.A luz do sol da manhã não é apenas um momento bonito para foto — é...
14/02/2026

Às vezes, a gente complica demais aquilo que é básico.

A luz do sol da manhã não é apenas um momento bonito para foto — é um sinal biológico poderoso para o nosso corpo. Quando a radiação UVB toca a pele, inicia-se a produção de vitamina D, que funciona como um verdadeiro hormônio regulador do organismo.

Ela participa da absorção de cálcio, protege nossos ossos, contribui para força muscular e influencia diretamente o sistema imunológico. Níveis adequados de vitamina D estão associados a uma resposta imune mais equilibrada e menor risco de desregulações inflamatórias.

Mas o sol não age só pela vitamina D.

A luz da manhã conversa com o nosso cérebro. Ela regula o ritmo circadiano, ajusta o relógio biológico, melhora a produção de serotonina (relacionada ao humor e bem-estar) e favorece uma liberação mais adequada de melatonina à noite, melhorando a qualidade do sono.

Existe também evidência de que a exposição solar pode estimular a liberação de óxido nítrico na pele, ajudando na vasodilatação e possivelmente contribuindo para regulação da pressão arterial.

Vivemos cada vez mais em ambientes fechados, sob luz artificial, telas e ar-condicionado. Nosso corpo evoluiu para receber luz natural diariamente — e quando isso não acontece, o impacto é silencioso: piora do sono, cansaço persistente, alterações metabólicas, maior vulnerabilidade imunológica.

Claro, equilíbrio é fundamental. Exposição excessiva aumenta risco de dano cutâneo. O objetivo não é exagero — é consistência.
10 a 20 minutos de sol da manhã, respeitando seu tipo de pele, já são suficientes para estimular essa cascata fisiológica.

Às vezes, saúde começa com um gesto simples:
sair de casa, respirar fundo e deixar o sol tocar a pele.

Seu corpo entende esse sinal. 🌞

09/02/2026

Quando uma infecção volta, o problema nem sempre é a recorrência em si, mas a forma como ela é interpretada.
Herpes, candidíase e infecção urinária podem se repetir, mas não pelos mesmos motivos. Cada uma envolve mecanismos diferentes, fatores específicos e exige um olhar clínico individualizado.

Tratar todas da mesma maneira costuma gerar frustração, novos episódios e a sensação de que nada funciona.
Cuidado ef**az começa pela compreensão da causa, do contexto e do corpo como um todo.

Vamos aprofundar cada tipo de infecção de repetição e mostrar como organizar um cuidado mais assertivo, seguro e consciente.

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📍 716 Sul, Ed. OHB, Sala 623 | Asa Sul.

Se você precisa de acompanhamento para HIV/AIDS, quer cuidar da prevenção de ISTs ou deseja iniciar a PrEP, estou atende...
15/08/2025

Se você precisa de acompanhamento para HIV/AIDS, quer cuidar da prevenção de ISTs ou deseja iniciar a PrEP, estou atendendo gratuitamente no Centro Integrado Ambulatorial da Universidade Católica de Brasília.

📍 Atendimento presencial de segunda a sexta-feira
📌 Campus I – Pistão Sul, Taguatinga-DF

📞 Ligue para agendar: 3356-9107 | 3356-9108
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