19/07/2018
🔆O Sol e a Visão
Luz Ultravioleta. Soa bonito. Envelhecimento precoce: feio. Câncer de pele. Muito pior. O que têm estas palavras em comum? O sol. Acho que todo mundo sabe desta correlação, mas nem todos se preocupam com ela.
Ninguém quer f**ar muito tempo longe do sol. Ninguém gosta de ter um céu sempre nublado. Há os que se sentem deprimidos quando os dias passam assim. Todos aplaudem o verão. O brasileiro especialmente tem o seu lado tropical na alma. Aliás, todos os homens em todos os tempos veneraram o sol que, para alguns povos, era deus.
O sol, responsável pela vida na terra, faz com sua luz visível, crescer as plantas, crescer os fitoplanctos no mar. E com isto produzir vida vegetal, oxigênio, alimentos e, por consequência, vida animal. Estamos aqui só por causa do sol. Por causa do sol, a nossa estrela, f**am os astrônomos a procura de outros planetas – corpos celestes girando em torno de uma estrela – porque seria num outro lugar assim que poderia existir vida.
Vida – este misterioso, maravilhoso, raro, senão único acontecimento em milhões de galáxias, não necessariamente explicado pela crença em deuses, mas com certeza pela crença nos fenômenos estelares.
Neste ponto é até simples: as estrelas são magníf**as usinas de energia e matéria, resultantes de um fenômeno conhecido – a fusão nuclear. Nas fusões nucleares formam-se elementos maiores, mais pesados, a partir do elemento mais simples da natureza,um gás levíssimo – o hidrogênio cujo nome lhe foi dado porque gera água ao se combinar com o oxigênio.
Muito bem, é a fusão nuclear que cria os pesados e complexos elementos como carbono, ferro, oxigênio e tantos outros, imprescindíveis à vida que, ao se combinarem, resultam moléculas simples mas essenciais como a água e bilhões de outras e, por obra dos seres vivos, moléculas complexas como os carboidratos, gorduras, proteínas, enzimas RNA e DNA.
Quisemos dizer tudo isto apenas para voltarmos ao sol, para lembrarmo-nos, poética e efetivamente, que somos, em última análise, o produto de fornos estelares! O resultado da luz e da fusão nuclear no sol e de talvez de outros distantes sóis.
Pois bem, o sol criador do material da vida e fonte da maravilhosa luz visível, aquela que obviamente nos faz ver, sol que nos traz luzes essenciais à síntese de um hormônio - a vitamina D - necessária à aborção do cálcio. Cálcio que dá resistência aos ossos. Vitamina D também muito importante para o funcionamento perfeito do sistema imunológico. Sistema que nos protege contra infecções (inclusive contra certos tipos de câncer).
Mas o sol tem também perigosas e invisíveis luzes - a infravermelha - que causa queimaduras e a ultravioleta que dá câncer de pele e a envelhece, por destruir o colágeno. Essas radiações existem inclusive nos dias nublados. Radiações ultravioletas também são emitidas por certas luzes artificiais.
Vamos agora ao sol nos olhos:
A exposição exagerada ao sol provoca na conjuntiva e na córnea uma afecção muito comum e desconfortável: intolerância à luz, sensação de areia, olhos vermelhos. Fala-se então em irritação ocular.
Mas pode ocasionar um pterígio, (do grego, pequena asa), essa membrana avermelhada, muito feia, que sai do canto do olho, começa a cobrir a córnea e causa distorção nesta refinada lente.
Sobre o cristalino o prejuízo é maior: catarata – a nossa magníf**a lente intra-ocular perde, com a prolongada exposição à luz ultravioleta, o seu caráter mais peculiar e que lhe deu o seu bonito nome. Torna-se manchado, às vezes opaco. É a maior causa de cegueira no mundo (reversível, com cirurgia).
Está comprovado: a incidência de catarata é seis vezes maior nas pessoas expostas, sem proteção à luz ultravioleta.
A luz ultravioleta pode ainda causar degeneração macular, doença da parte mais importante da retina (aquela responsável pela visão de detalhes e de cores), que não tem tratamento efetivo.
Usemos pois, proteção solar: filtros para pele, chapéu, boné, óculos de sol.
Entretanto, nem todos os óculos escuros têm filtro anti luz ultravioleta (filtro 100% UV).
Pode ser perigoso comprar quaisquer óculos escuros (desses vendidos na rua) porque, se eles não tiverem a camada filtrante Anti-UV, mais luz UV penetra nas pupilas.
Menos prejudicial seria se expor à luz com os olhos nus porque, num ambiente claro, ao se fecharem as pupilas, estará introduzida uma proteção natural que minimiza a quantidade de luz UV que atinge o interior dos olhos.
Aqui uma questão crucial: como saber se determinados óculos têm realmente um bloqueio UV? É evidente que uma etiquetazinha pregada na lente não garante nada e, infelizmente, óticas conhecidas e marcas de renome não asseguram esta qualidade. O espectro-radiômetro, equipamento que mede o percentual de luz filtrada por uma lente e de qual radiação, deveria ser obrigatório às óticas.
Também a normatização de lentes deveria estar a cargo do INMETRO. Mas isto, infelizmente não existe por aqui.
Contam os oftalmologistas com seus exames às lâmpadas de fenda (biomicroscópio). Lá, os sinais clínicos oftalmológicos de foto-agressão podem ser detectados.
Se o uso de óculos solares é corriqueiro, seja pelo conforto e proteção que oferecem, seja por uma questão fashion (como gostam de falar os deslumbrados com estrangeirismos), não nos esqueçamos jamais de proteger também os olhos das crianças, muito mais sensíveis à luz UV do que os adultos, por dois motivos: o cristalino nas crianças filtra menos essas radiações e elas estarão naturalmente muito mais tempo expostas aos seus efeitos deletérios cumulativos.
Mas como é que se pode f**ar com a cor que só o sol nos dá?
Acho que você está querendo agora lembrar-se da palavra que vem de um costume tão velho quanto o uso daquela versátil e resistente liga metálica que, antes do alumínio, do aço inoxidável, do titânio e do plástico estava em todos os objetos e que desde aquele tempo empresta seu nome para definir uma bela cor humana – o bronze.
Infelizmente, meus amigos, bronzeado não é mais fashion.