14/12/2025
“Sentir-se amado” é um poder mesmo: porque organiza a nossa identidade (sou boa suficiente? sou digna de ser apreciada?), ensina quem somos (quem eu sou autenticamente é amável por outros?) e estabiliza para uma vida funcional (ufa, tenho estabilidade emocional para exercer meus outros papéis da vida).
Sentir-se amado começa muito cedo na história de vida de alguém. Uma infância com muito problemas, com pais negligentes/ausentes, ou instáveis/confusos, abusivos e/ou não afetuosos/frios pode distorcer na criança a ideia do que é amor e do que é ser amado.
As crianças, por serem extremamente dependentes de seus cuidadores, não podem simplesmente dizer aos seus pais como um adulto faria numa relação disfuncional: “olha, essa relação aqui não está saudável, vem me fazendo muito mal a maneira como sou tratada, vou embora”. A criança precisa daqueles cuidadores para sobreviver e faz de TUDO para se ADAPTAR a um ambiente tóxico.
Ela cresce sem a noção de que o mundo é relativamente um lugar seguro, de que as emoções dela são válidas, de que pode errar e não será abandonada. Cresce sem a certeza de que é vista e amada sendo quem ela é.
Assim, na vida adulta a ideia de amor pode estar relacionada a muita intensidade emocional, a ansiedade, a ciúmes, a estar em alerta, a adaptar-se muito ou até perder-se para ser aceito, ao profundo medo de ser abandonado ou machucado.
Sentir-se amado de verdade, de forma saudável, significa ser visto, ter previsibilidade (poder descansar e não ficar vigilante que daqui a pouco o outro vai estourar?), ser cuidado sem condições ou chantagens, ter segurança emocional (sensação de estar casa, sabe?), ter padrões mínimos de gentileza e respeito.)
Sentir-se amado, então, pode ser mais que um poder, pode ser um aprendizado emocional tardio. Desconfiar da nossa atração, das nossas escolhas. Quando você pensa no seu passado - as pessoas pelas quais você sentiu atração: elas te trouxeram paz ou tensão constante? Você se sentia você mesmo ou tinha que se encolher para caber na relação? Precisava ficar com medo da próxima explosão?
(continua nos comentários)