19/12/2025
Muita gente ainda acredita que o luto “normal” termina em 6 meses, mas essa ideia já foi revista pela ciência. Estudos em psicologia e neurociência mostram que é natural que o luto ultrapasse esse período, especialmente quando houve vínculo profundo ou perda traumática. O próprio DSM-5-TR da American Psychiatric Association reconhece que a duração, isoladamente, não define patologia.
Ao mesmo tempo, a literatura clínica alerta que, quando após cerca de 6 meses o sofrimento permanece intenso, contínuo e começa a comprometer funções básicas como sono, apetite, energia, autoestima e sentido de vida, isso pode indicar risco aumentado para depressão maior ou para o Transtorno do Luto Prolongado, descrito pela CID-11 da Organização Mundial da Saúde. Não é o tempo que adoece — é quando o cérebro f**a preso em circuitos de dor sem conseguir integrar a perda.
Como descreve a neurocientista Mary-Frances O’Connor, o luto envolve uma reorganização profunda dos sistemas de apego e identidade no cérebro, e quando esse processo trava, o sofrimento deixa de ser apenas adaptativo e passa a exigir cuidado clínico (O’Connor, 2019). Buscar ajuda não signif**a esquecer quem se foi, mas proteger a própria saúde emocional.