04/02/2026
No consultório, eu lido com muitos diagnósticos. Alguns são difíceis, outros são reversíveis. Mas existe uma “doença” silenciosa que eu vejo com frequência e que não sai nos exames de sangue: a síndrome do “quando as coisas acalmarem”.
Eu escuto muito: “Dra., quando eu me aposentar, vou cuidar mais de mim”, “Quando as crianças crescerem, eu faço aquela viagem”, “Quando a empresa estabilizar, eu volto a ter um hobby”.
A gente tem essa mania perigosa de achar que a vida vai nos mandar um aviso prévio, com data marcada, para a gente começar a tirar os sonhos da gaveta.
A grande verdade, que a medicina me ensina todos os dias da forma mais crua, é que a estabilidade é uma ilusão. O “momento perfeito” onde teremos tempo, dinheiro e saúde sobrando, raramente chega.
Eu não estou aqui para te dizer para ser irresponsável com suas obrigações. Mas eu preciso te lembrar, como médica e como mulher que também corre contra o relógio, que a vida está acontecendo enquanto você espera.
Não deixe que seus desejos mais genuínos — seja conhecer um lugar novo, perdoar alguém ou simplesmente ter uma tarde livre sem culpa — virem apenas uma memória do que poderia ter sido.
O “depois” é um arquivo muito pesado para se carregar.
Que hoje a gente tenha a sabedoria de encaixar um pouco de “vida” na nossa rotina.
Se você pudesse realizar hoje algo que está guardando para “depois”, o que seria? 👇🏼