24/03/2026
Os distúrbios hidroeletrolíticos são alterações frequentes em pacientes hospitalizados, especialmente em indivíduos críticos, idosos ou portadores de doenças crônicas. Essas alterações podem ocorrer em decorrência da própria doença de base, de processos inflamatórios, perdas gastrointestinais ou renais, bem como do uso de medicamentos e intervenções terapêuticas.
Essas alterações podem impactar diretamente o funcionamento de diversos sistemas fisiológicos, incluindo função neuromuscular, equilíbrio ácido-base, atividade cardíaca e processos metabólicos celulares. Quando não identificados e corrigidos adequadamente, os distúrbios hidroeletrolíticos podem agravar o quadro clínico, prolongar o tempo de internação e aumentar o risco de complicações.
Nesse contexto, a terapia nutricional desempenha papel fundamental tanto na prevenção quanto no manejo dessas alterações. A oferta adequada de líquidos, eletrólitos e nutrientes deve ser cuidadosamente planejada e monitorada, especialmente em pacientes que recebem nutrição enteral ou parenteral. A composição das fórmulas nutricionais, o volume administrado e a velocidade de infusão podem influenciar diretamente o equilíbrio hidroeletrolítico.
Além disso, situações como síndrome de realimentação exigem atenção especial, uma vez que a reintrodução da terapia nutricional em pacientes desnutridos pode desencadear importantes alterações nos níveis de fósforo, potássio e magnésio. Por isso, a monitorização laboratorial frequente e o acompanhamento multi são essenciais para garantir segurança do paciente.
Assim, a integração entre avaliação clínica, monitorização laboratorial e planejamento nutricional individualizado é indispensável para o manejo adequado dos distúrbios hidroeletrolíticos, contribuindo para maior estabilidade metabólica e melhores desfechos clínicos.
Refs 📑
KRAFT, M. D.; BOULOS, P. B. Electrolyte disturbances in the intensive care unit. Critical Care Clinics, v. 28, n. 2, p. 265–283, 2012.
KLEIN, C. J. Refeeding syndrome and electrolyte disturbances. Nutrition in Clinical Practice, v. 31, n. 5, p. 599–607, 2016.