30/01/2026
O caso do Orelha não é “apenas” sobre um animal. É sobre o que estamos nos tornando quando a dor do outro deixa de nos afetar.
A violência contra animais não nasce isolada. Ela costuma caminhar junto da banalização da vida, da dificuldade de reconhecer limites, da ausência de empatia e da naturalização do sofrimento alheio. Quando a crueldade vira brincadeira, algo muito sério já falhou antes.
Na psicanálise, compreendemos que a agressividade faz parte da condição humana. O problema não é reconhecê-la, mas quando ela não encontra mediação, palavra, responsabilidade ou cuidado, e passa a se expressar pela destruição do outro.
Não é sobre punir apenas. É sobre perguntar:
• Onde estamos falhando como adultos?
• Que referências estamos oferecendo?
• Que tipo de laço social estamos construindo?
Uma sociedade que se acostuma com a violência, seja contra animais, pessoas ou grupos, adoece aos poucos, muitas vezes sem perceber.
Em meio a isso, falar sobre adoção responsável também é falar de cuidado, vínculo e compromisso. Há muitos animais à espera de um lar seguro, onde possam viver sem medo. Adotar é assumir responsabilidade, mas também abrir espaço para uma relação atravessada por afeto, presença e amor, algo que transforma não só a vida do animal, mas também a de quem acolhe.
Que esse caso não seja só mais um. Que ele nos convoque à reflexão, ao cuidado e à proteção da vida em todas as suas formas.