03/12/2024
Em 2023, 630 mil pessoas morreram de doenças relacionadas à Aids, e 1,3 milhão de pessoas contraíram o HIV.
O desafio dos direitos humanos
Comunidades marginalizadas, incluindo mulheres, meninas e indivíduos LGBT, continuam sendo afetadas desproporcionalmente.
A África Subsaariana ilustra essa disparidade de forma gritante: todos os dias, 570 mulheres jovens entre 15 e 24 anos contraem o HIV, uma taxa três vezes maior que a de seus pares do s**o masculino.
Globalmente, 9,3 milhões de pessoas vivendo com HIV não estão recebendo tratamento que salva suas vidas.
“A discriminação e a violência contra meninas devem ser enfrentadas como uma emergência de direitos humanos e saúde”, disse Nomonde Ngema, uma ativista de 21 anos.
A criminalização obstrui o progresso
Leis punitivas visando comunidades marginalizadas agravam a crise. Em 2023, 63 países ainda criminalizavam relacionamentos entre pessoas do mesmo s**o.
A prevalência do HIV entre homens g**s e outros homens que fazem s**o com homens é cinco vezes maior nesses países do que naqueles onde tais leis não existem.
“Leis e políticas punitivas mantêm pessoas vulneráveis longe da ajuda necessária para prevenir o HIV, testar o HIV e tratar o HIV”, disse Axel Bautista, gerente de engajamento comunitário da MPact Global Action for Gay Men’s Health & Rights.
“Em vez de punir comunidades marginalizadas, os governos precisam defender seus direitos humanos”, enfatizou.
A Declaração Política de 2021 do UNAIDS sobre o Fim do HIV/Aids pediu a remoção de leis restritivas até 2025, mas o progresso continua lento.
Reduzindo a lacuna da inovação
Avanços científicos, como medicamentos injetáveis de ação prolongada, oferecem esperança, mas continuam inacessíveis para muitos devido aos altos custos e à produção limitada.
“Ferramentas médicas que salvam vidas não podem ser tratadas meramente como mercadorias”, disse Alexandra Calmy, líder de HIV nos Hospitais Universitários de Genebra. “As opções terapêuticas e preventivas revolucionárias que estão sendo desenvolvidas atualmente devem ser disponibilizadas sem demora para atingir alcance universal.”
O relatório pede uma abordagem centrada nos direitos humanos para garantir acesso equitativo a essas inovações que salvam vidas.
Vozes da mudança
O relatório do UNAIDS amplia as perspectivas de líderes globais, incluindo o cantor e compositor britânico Elton John, o presidente irlandês Michael D. Higgins e a ativista Jeanne Gapiya-Niyonzima.
“Enquanto o HIV for visto como uma doença para os ‘outros’, não para as chamadas ‘pessoas decentes’, a Aids não será derrotada. Ciência, medicina e tecnologia podem ser o ‘o quê’ para acabar com a Aids, mas inclusão, empatia e compaixão são o ‘como’”, escreveu Elton John.
O presidente Higgins ecoou esse sentimento: “Cumprir a promessa de acabar com a Aids como uma ameaça à saúde pública é uma escolha política e financeira. O momento de escolher o caminho correto já passou há muito tempo.”
Um apelo global à ação
À medida que o mundo se aproxima do prazo de 2030, o UNAIDS enfatiza que acabar com a Aids não é apenas uma questão de saúde – é uma obrigação de direitos humanos.
Ao abordar as desigualdades e garantir o acesso equitativo aos serviços, a comunidade internacional pode atingir seu objetivo comum de acabar com a Aids como uma ameaça à saúde pública.