04/12/2025
“Quando o Jacaré Chorou”
Hoje, na sala, não foi apenas uma criança tocando um xilofone.
Foi um coração encontrando um ritmo.
Um pequeno corpo descobrindo que pode ficar,
que pode seguir, que pode sentir sem se perder.
Ele pediu a música do Jacaré quatro vezes,
como quem pede mais uma chance de existir no encontro.
E em cada repetição, o abraço chegava exatamente
quando o jacaré chorava —
um abraço que era resposta, que era afeto,
que era empatia tomando forma no corpo.
No xilofone, não eram “pancadinhas”.
Era permanência.
Era a pulsação interna organizando o mundo.
Era atenção compartilhada surgindo no compasso.
Era regulação afetiva sendo guiada pelo ritmo
que ele mesmo sustentou.
E quando, na última vez, ele cantou o final,
foi como se dissesse que a música já cabia nele,
que a emoção já encontrara lugar,
que o vínculo estava tecido — fino, firme, vivo.
O que aconteceu ali não foi simples.
Foi Musicoterapia em potência:
ritmo, afeto, imitação expressiva, empatia,
regulação, permanência e vínculo.
Hoje, ele falou com o gesto,
falou com o som,
falou com o abraço.