27/10/2025
Sábado.
Saí pra correr numa tarde linda por aqui.
De repente, no meio do quarteirão, uma cachorra surgiu em minha direção.
Vinha determinada, recuei, achando que seria atacada.
Mas logo abanou o rabo, pulou em mim e começou a correr ao meu lado.
Tentei escapar, mudar o ritmo, mas ela era danada.
Corria atrás de mim como quem reconhece algo — um cheiro, uma lembrança, uma afinidade antiga.
Por um instante, me preocupei:
“E agora? Vai me seguir até em casa?”
Mas a alegria dela era tamanha, que não teve como não me tocar.
Era um desses encontros simples, não planejados, mas que lembram o essencial:
a vida pulsa nesses pequenos acasos.
Durante a breve estadia dela em casa — entre a preocupação de achar a tutora e o encanto de vê-la brincando de bolinha — fiquei pensando… e agradecendo.
Que bom que eu não me tornei insensível ao longo da vida.
Que bom que meu coração ainda se deixa tocar.
E que bom que o coração de outras pessoas também se deixou, ajudando a divulgar, doando tempo e importância.
Mas também pensei na quantidade de gente petrif**ada,
gente que já não se importa mais.
Quando foi que os sorrisos foram substituídos por telas,
e as conversas por notif**ações?
Vivemos cercados por máquinas, robôs, eletrônicos que prometem facilitar a vida, mas, aos poucos, vão nos afastando dela.
Há tanta pressa, tanto barulho, tanta opinião…
Mas falta olhar. Falta toque. Falta conversa.
O ser humano parece ter esquecido o que o torna humano:
a capacidade de se importar.
E que coisa linda é isso!
Quando foi que acolher um serzinho virou exagero?
Quando foi que sentir passou a ser fraqueza?
Quando foi que a história do outro contada no palco ganhou mais valor do que a de quem mora ao lado?
E diante dessas pequenas reflexões, só me resta agradecer:
por ainda ter um coração que sente.
Por sentir as dores da vida — e também a alegria de um pequeno encontro como esse.
Desejo que a vida nos encontre disponíveis,
presentes, e, sobretudo, férteis
pra que ela possa fluir em nós,
nas lágrimas e nos sorrisos.🤍