16/01/2026
Quando o câncer chega, ele traz dor, medos e receios que quem está de fora pode nem imaginar.
De repente, o corpo muda, as prioridades se reorganizam e muitas perguntas ficam sem resposta. Em meio a essa tempestade, surge uma dúvida íntima: ainda é possível pensar em prazer?
A sexualidade segue envolta em tabus, e muitos pacientes se sentem constrangidos em falar sobre o assunto.
Outros acreditam que o desejo não deveria existir durante o tratamento, e há quem tema machucar o parceiro, provocar a volta da doença ou simplesmente não se reconheça mais no próprio corpo.
Mas é importante dizer, com delicadeza e clareza: sentir desejo não é inadequado, querer intimidade não é errado, e falar sobre isso também é cuidado.
Os tratamentos oncológicos podem, sim, interferir na vida sexual: dor, secura vaginal, alterações hormonais, incontinência, disfunção erétil, queda da libido. Tudo isso pode gerar vergonha, afastamento e silêncio.
No entanto, existem caminhos possíveis, recursos terapêuticos e, sobretudo, espaço para diálogo.
A sexualidade não se resume ao ato sexual, ela envolve vínculo, toque, afeto, reconhecimento do corpo que existe hoje. Reaprender limites, redescobrir sensações e respeitar o próprio tempo também fazem parte do processo.
Se esse tema atravessa você, como paciente ou parceiro, reflita que conversar sobre sexualidade também é parte do tratamento, e merece escuta, acolhimento e respeito.
Dra. Fernanda Proa
Oncologista
Medicina do Estilo de Vida
Cuidados Paliativos
CRM151-882
📍Radium Instituto Oncologia
☎ (19) 3753 4100