Dra. Fernanda Proa

Dra. Fernanda Proa Sobre o amor que está no ínterim. Sobre a Vida, para além de todas as coisas!

O diagnóstico pode representar um ponto de ruptura na forma como a mulher passa a enxergar a própria vida. Antes mesmo d...
16/04/2026

O diagnóstico pode representar um ponto de ruptura na forma como a mulher passa a enxergar a própria vida.

Antes mesmo de qualquer tratamento, existe um impacto emocional importante, que já modifica percepções, rotina e a forma de se projetar no futuro.

Esse momento pode gerar sofrimento psicológico significativo, e precisa ser reconhecido como parte central do cuidado, pois a mulher pode se deixar definir pelo seu diagnóstico e se esquecer de quem é.

Por isso, mais do que falar da doença, é fundamental olhar para quem a recebe: a mulher que existe antes, durante e além do diagnóstico. E é sobre isso que falei nas imagens, confira e compartilhe esse cuidado.

Dra. Fernanda Proa
Oncologista
Medicina do Estilo de Vida
Survivorship
Cuidados Paliativos
CRM151-882
📍Espaço Núr
☎ (19) 99976-6489

Vivemos um tempo em que parece que o valor de alguém está diretamente ligado ao quanto se entrega, se mantém ativo, se s...
14/04/2026

Vivemos um tempo em que parece que o valor de alguém está diretamente ligado ao quanto se entrega, se mantém ativo, se sustenta em movimento constante.

Nesse cenário, adoecer parece quase um desvio de rota e, injustamente, muitas vezes é interpretado como fragilidade, desistência ou perda de valor. Mas não é.‼️

Não somos máquinas, não operamos em linha de produção, não há linearidade possível quando se fala de corpo, de mente, de vida.

Há dias de presença intensa e outros de silêncio necessário e recolhimento, e isso não diminui ninguém, apenas revela a complexidade do que é ser humano.

A doença não é falta de esforço, não é ausência de mérito, não é entrega menor.

É vida em outro ritmo.⚠️

Talvez o ponto mais urgente do nosso tempo seja esse: recuperar a noção de humanidade que não cabe na lógica da performance.

Você não precisa corresponder a uma ideia de constância, precisa apenas existir no tempo possível de hoje.🤍

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No consultório, eu observo que grande parte do medo relacionado ao câncer não vem apenas do diagnóstico, mas da forma co...
09/04/2026

No consultório, eu observo que grande parte do medo relacionado ao câncer não vem apenas do diagnóstico, mas da forma como ele é interpretado.

Informações fragmentadas, relatos de terceiros e conteúdos genéricos criam uma narrativa que nem sempre corresponde à realidade individual do paciente.

É comum que, diante de uma suspeita ou confirmação, surjam comparações: “aconteceu assim com alguém que eu conheço”, mas na prática clínica, cada caso é único, o câncer não é uma doença única, e sim um conjunto de condições com comportamentos, respostas e prognósticos distintos.

Por isso, buscar respostas fora do contexto médico pode gerar interpretações equivocadas e aumentar a ansiedade, e informação sem direcionamento não acolhe, confunde.

Levar dúvidas (quaisquer que sejam, mesmo aquelas que o paciente considera simples) ao médico é parte essencial do cuidado, é nesse espaço que as informações são organizadas, contextualizadas e transformadas em estratégia.

Perguntar, esclarecer e compreender não apenas reduz o medo, mas permite decisões mais seguras e conscientes.

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Meu dia começa cedo, muitas vezes dentro do hospital. Eu adoro hospital. Adoro enxergar a vida que acontece entre uma picada de agulha e outra. 

08/04/2026

Receber um diagnóstico, aguardar um resultado, iniciar ou dar continuidade a um tratamento, são processos que não atingem apenas o corpo, mas também os sentimentos, os pensamentos e a forma como cada pessoa se percebe no mundo.

Por isso, mais do que interpretar exames, é essencial escutar histórias, que mostram que cada detalhe importa: as dúvidas que às vezes não são ditas, os medos que se insinuam nas entrelinhas, as expectativas que silenciosamente acompanham cada consulta.

O diálogo, nesse contexto, não é apenas uma troca de informações, mas sim um espaço de acolhimento, de construção conjunta e de cuidado genuíno.

É onde o conhecimento técnico encontra a sensibilidade, e onde o paciente deixa de ser um caso para ser, de fato, alguém em sua totalidade.

Se você está atravessando esse caminho, permita-se perguntar, expressar, compartilhar.

E, a nós profissionais, que jamais nos falte escuta, presença e delicadeza para sustentar cada história com o respeito que ela merece.

Dra. Fernanda Proa
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Cânceres de mama, colo do útero, ovário e endométrio, seguem entre as principais causas de adoecimento e mortalidade em ...
02/04/2026

Cânceres de mama, colo do útero, ovário e endométrio, seguem entre as principais causas de adoecimento e mortalidade em mulheres.

Ainda assim, a ciência é consistente em um ponto: o diagnóstico precoce modifica significativamente o prognóstico.⚠️

Por isso, hoje reforço a importância de observar o corpo e reconhecer sinais decisivos para o diagnóstico precoce e melhores resultados no tratamento.

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Quando o outono chega e uma árvore perde suas folhas, algo muda, mas a vida não para. As raízes seguem absorvendo, o tro...
31/03/2026

Quando o outono chega e uma árvore perde suas folhas, algo muda, mas a vida não para.

As raízes seguem absorvendo, o tronco sustenta, os processos continuam acontecendo, mesmo que não sejam visíveis.

Durante um tratamento, pode surgir essa sensação:

Como se tudo tivesse diminuído, desacelerado, entrado em espera.

Mas receber um diagnóstico não coloca a vida em pausa.

Assim como a árvore atravessa esse ciclo sabendo que uma nova fase virá de crescimento, de renovação, de florescimento, você também está em um processo de cuidado, fortalecimento e reconstrução.

E esse processo não é um intervalo da vida, é parte dela.

Por isso, não precisa esperar, porque viver não é apenas quando tudo está perfeito.

Existe vida durante o tratamento, e ela deve ser vivida!

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Se eu te perguntar o que é coragem, aposto que você me daria respostas bem diferentes daquilo que eu vejo todos os dias ...
24/03/2026

Se eu te perguntar o que é coragem, aposto que você me daria respostas bem diferentes daquilo que eu vejo todos os dias no consultório.

Muitas vezes, caracterizamos a coragem como força, firmeza, ausência de medo, mas ela pode ser sustentada de outra maneira.

A coragem que eu vejo não aparece pronta:

Ela está no olhar que carrega medo, mas não desvia.
No corpo cansado que, ainda assim, comparece.
Na pessoa que chora, e continua.

A vivência com pacientes oncológicos me ensina que coragem não é um estado emocional contínuo, é uma atitude, uma decisão que se repete, mesmo quando não há força aparente.

Seguir com o tratamento, comparecer, sustentar o processo, permitir-se ser cuidado, tudo isso exige uma coragem que não é definida, mas transforma profundamente.

É uma coragem que não nega o medo, mas caminha com ele.

Como médica, eu aprendo todos os dias que ser forte não é não sentir, é continuar, mesmo sentindo. 💪🏼

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A palavra paliar vem do latim pallium, que significa “manto”: aquele que protege, acolhe e ampara diante da tempestade. ...
20/03/2026

A palavra paliar vem do latim pallium, que significa “manto”: aquele que protege, acolhe e ampara diante da tempestade.

E é exatamente isso que os cuidados paliativos fazem: envolvem o paciente com cuidado, abordam o sofrimento humanos em todas as suas esferas, com dignidade e presença, mesmo nos momentos mais desafiadores.

Ainda existe um equívoco recorrente de que cuidados paliativos significam que “não há mais o que fazer”. Na prática, é exatamente o contrário, há muito a ser cuidado sempre.

Os cuidados paliativos começam desde o diagnóstico de doenças graves e caminham junto ao tratamento, com um objetivo central: aliviar o sofrimento e preservar a qualidade de vida, em suas dimensões física, emocional, social e espiritual.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, essa abordagem melhora de forma consistente o bem-estar de pacientes e familiares.

E a meta-análise “Impacto dos cuidados paliativos na qualidade de vida em pacientes com câncer avançado: uma meta-análise de ensaios clínicos randomizados”, que reuniu 25 estudos clínicos com mais de 5.000 pacientes, demonstrou melhora significativa na qualidade de vida, já nos primeiros meses de acompanhamento.

Essas informações reforçam que tratar apenas a doença é limitado, mas cuidar da pessoa é transformador.

Cuidado paliativo não é sobre o fim, é sobre como se vive, com qualidade, dignidade e sentido, em cada etapa da jornada.

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Este conteúdo apresenta dados da seguinte referência científica: Fatemeh Hoomani Majdabadi et al. Eur J Cancer Care (Engl). 2022 Nov.

Quem já passou pelo tratamento do câncer de mama: a remissão é uma vitória enorme, mas nem sempre é o final da história....
19/03/2026

Quem já passou pelo tratamento do câncer de mama: a remissão é uma vitória enorme, mas nem sempre é o final da história.

Para muitas mulheres, o próprio tratamento pode provocar uma menopausa precoce e abrupta.

Ondas de calor, alterações no corpo, impacto na sexualidade, na fertilidade, na autoestima.
Mudanças que chegam rápido, e que muitas vezes não foram suficientemente conversadas durante o tratamento.

Esse também é um tema importante do cuidado oncológico, por isso, nas imagens, eu falo sobre o que pode ajudar nesse processo.🤍

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Há doenças que nos obrigam a olhar diretamente para o código da vida.Tive a alegria de discutir um tema que representa u...
16/03/2026

Há doenças que nos obrigam a olhar diretamente para o código da vida.

Tive a alegria de discutir um tema que representa uma verdadeira revolução silenciosa na oncologia do câncer de mama: as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 — e como compreender a biologia profunda do tumor pode transformar completamente o tratamento de nossas pacientes.

Os tumores associados a mutações em BRCA carregam uma característica marcante: instabilidade genômica. Em outras palavras, as células tumorais perdem parte da sua capacidade de reparar danos no próprio DNA — especialmente através da via de recombinação homóloga, um dos mecanismos mais refinados de manutenção da integridade do genoma.

Foi justamente dessa fragilidade que nasceu uma das ideias mais elegantes da medicina moderna: o conceito de letalidade sintética. Ao bloquearmos uma segunda via de reparo do DNA com medicamentos do tipo inibidores de PARP, criamos uma situação em que o tumor simplesmente não consegue mais sobreviver ao acúmulo de danos genéticos.

Transformamos uma vulnerabilidade molecular em uma estratégia terapêutica.

Mas cuidar de pacientes com mutações germinativas em BRCA vai muito além da farmacologia.

Frequentemente estamos diante de mulheres jovens, em fases muito ativas da vida, que além de enfrentar um câncer biologicamente mais agressivo também precisam lidar com questões profundas:
herança genética, risco familiar, fertilidade, planejamento reprodutivo, prevenção de novos tumores e decisões cirúrgicas complexas.

A medicina aqui deixa de ser apenas tratamento e passa a ser também cuidado com o futuro.

E talvez seja isso que mais me fascine na oncologia contemporânea: quanto mais profundamente compreendemos a biologia do câncer — os detalhes quase invisíveis do DNA — mais conseguimos transformar conhecimento em esperança concreta para as pessoas que estão diante de nós.

A ciência do microscópico a serviço da vida real.

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Quando o diagnóstico de câncer chega, é natural que tudo ao redor pareça girar em torno dele, afinal são consultas, exam...
14/03/2026

Quando o diagnóstico de câncer chega, é natural que tudo ao redor pareça girar em torno dele, afinal são consultas, exames, tratamentos, protocolos.

A palavra passa a ocupar espaços que antes eram preenchidos por tantos outros assuntos da vida. Mas existe algo que não pode ser esquecido: a pessoa continua ali.

Antes do diagnóstico já existia uma história, uma identidade, afetos, sonhos, memórias, desejos simples do cotidiano, e tudo isso não desaparece quando a doença chega.

Gosto sempre de lembrar: O câncer é uma parte do caminho, não a totalidade dele.

Pacientes não são apenas pacientes, são pessoas que ainda têm vida acontecendo ao redor, e ainda existe riso, conversa, lembranças, planos, silêncio, afeto.

E quem está por perto também pode ajudar nisso, nem toda conversa precisa começar ou terminar na doença, às vezes, o maior cuidado é justamente continuar falando de vida.

Sobre um filme, um livro, um almoço em família, ou algo bonito que aconteceu no dia.

Porque quando tudo se reduz apenas ao câncer, a pessoa corre o risco de desaparecer atrás do diagnóstico, e ela é muito maior do que isso.

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13/03/2026

Muita gente acredita que a jornada de tratamento do câncer termina quando o tratamento acaba.

Mas a verdade é que na nova fase depois da quimioterapia, cirurgia ou radioterapia, pode surgir desafios que quase ninguém explica direito:

Menopausa induzida pelo tratamento
Fadiga crônica e perda de vitalidade
Mudanças no peso e na composição corporal
Medo constante de o câncer voltar
Perda de autoestima e de papéis na vida
Surgimento de outras condições de saúde no pós-tratamento

E tudo isso acontece enquanto o mundo espera que você simplesmente “volte ao normal”.

Mas não é sobre voltar ao normal, é sobre reconstruir uma nova forma de viver bem.

É exatamente para isso que existe o Survivorship: um acompanhamento focado na vida após o câncer.💫

Nesse processo, eu ajudo minhas pacientes a compreenderem o próprio corpo nessa nova fase, ajustarem estilo de vida, lidarem com sintomas persistentes e, principalmente, retomarem sua autoestima, autonomia e qualidade de vida.

Porque sobreviver ao câncer é uma vitória enorme, mas voltar a viver com plenitude também merece cuidado, orientação e acolhimento.

Você não precisa atravessar essa fase sozinha. 💛

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