10/12/2025
Em outubro, realizamos uma cirurgia de um caso especial e raro: fístula traqueoesofágica isolada, uma condição congênita em que há uma conexão anormal entre a traqueia (via aérea) e o esôfago (tubo de alimentação). Geralmente estas fistulas estão associadas a atresia de esôfago, ou a presença da fístula traqueoesofágica isolada é extremamente rara.
Em decorrência desta conexão entre o esôfago e a traqueia, leite e saliva podem entrar nas vias aéreas, causando de engasgos, cianose, aspiração e infecções pulmonares, situação grave para recém‑nascidos e lactentes.
✅ O que fizemos: realizamos a correção cirúrgica da fístula, com o fechamento desta comunicação entre esôfago e traqueia, promovendo a separação correta das vias aérea e do trato digestivo e permitindo alimentação e respiração com segurança. E isto foi possível, devido ao trabalho em equipe em hospital de referência, com suporte técnico e estrutura adequada, envolvendo as equipes de Cirurgia pediátrica, otorrinolaringologia e vias aéreas, anestesiologia e neonatologia, além de enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos que apoiaram todas as etapas no pré, trans e pós-operatório.
Por que essa condição é rara e delicada?
A fístula sem atresia de esôfago (também chamada de “tipo H” ou “tipo N”) é menos comum dentre as malformações traqueoesofágicas. A incidência desta má formação é de 1:50.000 a 1:80.000 nascidos vivos. Portanto, a realização deste diagnóstico e tratamento exige equipe e hospital especializado.
O diagnóstico nem sempre é imediato. Os sintomas podem surgir logo nas primeiras mamadas (engasgos, cianose, tosse) ou ao longo do crescimento da criança com infecções respiratórias recorrentes.
O que os pais devem saber: se o bebê tosse, engasga ou “sufoca” durante a amamentação, apresenta salivação constante e excessiva ou apresenta infecções respiratórias repetidas, vale procurar avaliação especializada.
O tratamento requer cirurgia, idealmente feita precocemente, para evitar complicações e garantir crescimento saudável.
Com o diagnóstico precoce, equipe qualificada e tratamento adequado, as chances de recuperação e boa qualidade de vida são possíveis.