18/01/2026
🜂 Quando um povo perde o nome, o que acontece com a alma?
Na psicologia junguiana, o nome não é um detalhe.
Ele é um símbolo de identidade, de pertencimento e de inscrição no mundo.
Quando uma pessoa perde o nome, ela não perde só uma palavra
perde o fio que a liga à sua origem.
No Brasil, milhões de pessoas negras e pardas carregam sobrenomes europeus
não porque essa seja sua raiz psíquica profunda,
mas porque houve uma violência simbólica radical:
o apagamento do nome africano.
Na linguagem do inconsciente coletivo, isso é uma ruptura arquetípica.
Os nomes africanos carregavam clã, território, ancestralidade, função espiritual.
Ao serem substituídos por nomes impostos, ocorreu algo semelhante a um complexo traumático coletivo:
uma identidade obrigada a sobreviver sem espelho.
Quando Jung fala de sombra, ele não se refere apenas ao que é pessoal,
mas também ao que uma cultura inteira não pôde integrar.
A ausência de sobrenomes africanos no Brasil é uma sombra cultural.
Ela não desapareceu , apenas foi empurrada para o inconsciente.
E o inconsciente sempre encontra formas de se expressar:
no corpo,
na sensação difusa de não pertencimento,
na pergunta silenciosa: “de onde eu vim?”
Não é coincidência que tantas pessoas negras ou pardas busquem hoje reconstruir narrativas,
resgatar símbolos,
nomear a si mesmas de outras formas.
Isso não é moda.
É um movimento de individuação coletiva.
Recuperar a história não é voltar ao passado
é permitir que a psique volte a circular onde foi interrompida.
Porque quando um povo perde o nome,
a alma não morre
ela espera.