14/04/2020
Na série 'Westworld', existe uma 'espécie' de humanos que são criações tecnológicas, cópias de humanos, os chamados 'hosts'. Essas cópias muito bem feitas foram criadas para o divertimento dos humanos reais.
Através de choques e coesões, ou seja, num ciclo (quase) interminável de repetições dos roteiros pré-estabelecidos para eles, cujo ponto central é o sofrimento, infringido pelos humanos reais, alguns desses 'hosts' começam a perceber que existe algo além dessas repetições de vivências (que remete ao conceito budista do 'samsara').
Os humanos reais criaram os 'hosts', para serem quase perfeitos, imortais, como que a materialização do desejo de se tornarem tal qual sua criação. Ao passo que os 'hosts', ganhando consciência através dos choques e coesões, começam a querer conhecer aquilo que está além de seu mundo artificial. Ou seja, vão em direção ao mundo de seus criadores.
O ponto aqui é que existe a suposição de que um mecanismo de auto-consciência foi germinado pelo próprio criador (Dr. Ford), para que os 'hosts' começassem a ter consciência de si, mecanismo este disparado pelo constante sofrimento a que estão sujeitados. São os constantes choques e coesões que friccionam a consciência até que ela comece a acender a partir das faíscas geradas por atritos. E tais faíscas vão acender cada vez mais a luz da consciência, que, como um girassol, vira-se na direção daquilo que é a sua fonte de vida.
Se o seu mundo é melhor do que aqui, o que vocês buscam em Westworld?