27/04/2026
Nos últimos dez anos, os atendimentos por infertilidade masculina no Sistema Único de Saúde (SUS) mais que dobraram, passando de cerca de 725 em 2015 para 2,5 mil em 2024, segundo dados oficiais obtidos pelo G1. Esse crescimento representa o maior número registrado desde o início da série histórica e reflete uma mudança relevante no comportamento dos homens em relação à sua saúde reprodutiva e à fertilidade.
Especialistas alertam que esse aumento não deve ser interpretado apenas como um crescimento da prevalência da infertilidade, mas também como um sinal de que mais homens estão buscando avaliação médica e que fatores de risco associados à vida moderna estão cada vez mais presentes. Entre esses fatores estão obesidade, sedentarismo, uso de anabolizantes e testosterona, tabagismo, álcool, exposição a poluentes ambientais e o adiamento da paternidade.
A infertilidade masculina muitas vezes é silenciosa. A maior parte dos homens não apresenta sintomas perceptíveis e descobre a condição apenas após meses ou anos de tentativas de engravidar sem sucesso. Isso ocorre porque a função sexual pode continuar normal mesmo quando há alterações na produção ou na qualidade dos es***matozoides.
Estudos e a prática clínica mostram que o fator masculino contribui em cerca de 40% a 50% dos casos de infertilidade conjugal, seja como causa isolada ou em combinação com fatores femininos. Em muitos casos, algumas causas podem ser tratadas de forma eficaz, como a varicocele, infecções ou condições adquiridas, especialmente quando a investigação é iniciada precocemente. Mudanças no estilo de vida também têm impacto positivo e podem melhorar os parâmetros seminais ao longo do tempo.
Diante desse cenário, a orientação médica especializada não deve ser adiada. A avaliação masculina não apenas ajuda a identificar causas tratáveis, como também evita atrasos desnecessários no tratamento do casal. Buscar ajuda cedo significa ter mais opções e melhores resultados no caminho para realizar o sonho da paternidade.