17/02/2026
Carnaval, considerado uma festa profana, originada na Antiguidade, do culto à carne, comemorado com muita bebida e s**o, reverencia a cultura greco-romana, o deus do vinho - Baco (ou Dionísio para os gregos). Trata-se de uma festa resgatada pelo cristianismo, que começa no dia de Reis (Epifania) e acaba na Quarta-Feira de Cinzas, às vésperas da Quaresma.
Os festejos populares são provenientes de ritos e costumes pagãos, caracterizam-se pela liberdade de expressão e movimento de grupo. Nestas festas, máscaras e fantasias fazem parte das expressões subjetivas de variados personagens que podem ser representados de maneira livre e descompromissada da realidade cotidiana.
Fazendo uma aproximação com a psicanálise, diria que o conceito de pulsão é o que mais se aproxima do sentido do Carnaval, expressando um realismo grotesco de uma festa coletiva, na qual tudo é permitido.
No riso alegre e carnavalesco, ressalta-se o que é grupal, transitório e leviano, permitindo os corpos experimentarem transformações que flertam, ao mesmo tempo com o criativo, com o proibido e com o perigo.
O prazer e o riso constroem o espetáculo da satisfação do desejo, contrapõem-se à dor e à angústia que derivam do conflito psíquico do sujeito na sua singularidade, enredando-o ao abalo das fronteiras entre a fantasia e a realidade, à quebra dos papéis sociais e sua primitividade.
Ainda que num clima de brincadeira, música e dança, o carnaval representa uma espécie de fuga daquilo que está recalcado, denunciando, por meio das fantasias e máscaras, que há algo mais nas profundezas da existência humana, algo que move e, ao mesmo tempo, se mantém velado por trás delas e, que poderá se silenciar ou adormecer na quarta-feira de cinzas, quando o grupo se desfaz da sua força pulsional.
Leila Tannous Guimarães