29/03/2022
Relacionamentos abusivos
Definitivamente, relacionar-se é uma arte aprendida e aprimorada a partir das próprias experiências. Planejar viver um conto de fadas é o caminho mais curto para a frustração, pois as verdadeiras histórias de amor sempre têm uma mordida na realidade. O mesmo vale para a ideia de se entregar desamparadamente aos cuidados do outro, esperando ser salvo.
Somos seres humanos falíveis e imperfeitos, frequentemente nutrindo a fantasia do encanto eterno, ao invés de direcionar o olhar para a construção diária de um relacionamento onde prepondere o respeito, a escuta e a conciliação de conflitos.
Por diversas motivações, sobretudo inconscientes, podemos nos colocar em situações desprazerosas, em busca de uma estranha satisfação: sabemos que há algo disfuncional, mas movidos por uma certa presunção ou esperança levamos adiante, esperando uma dissolução mágica de tudo que há de ruim para restar apenas o prazer total.
Um relacionamento saudável pode, e geralmente o é conflituoso, no sentido de virem à tona demandas para serem administradas; mas nele, há confiança mútua, momentos de leveza e descontração, admiração, bem querer, respeito, compartilhamento de pensamentos sem julgamento e decisões tomadas em conjunto.
Num relacionamento abusivo prevalece a insegurança, tensão contínua, sensação de humilhação ou manipulação, agressões (verbais, psicológicas, patrimoniais), ciúme excessivo, controle, cobranças e acusações infundadas, tentativa do outro de promover um isolamento de amigos e familiares, vitimismo do outro, sensação de estar enlouquecendo, de inutilidade e insuficiência.
É importante dar-se conta que existem outras possibilidades e caminhos para a construção da própria felicidade, sempre singular e dizer não ao medo, emoção quase sempre prevalecente, como principal barreira que precisa ser atravessada: medo da escolha, de ficar sozinha, das ameaças, de enxergar a realidade, e assim, deixar cair as ilusões, trabalhando o ressentimento.