16/11/2025
Ninguém precisa acreditar na sua dor. O que realmente importa é você entender como ela funciona, o que agrava, o que acalma, onde ela começa e onde ela te limita, porque é esse conhecimento que transforma o tratamento.
Quem vive com dor crônica conhece uma solidão que nenhum exame mostra.
Você se adapta, sorri, trabalha, cumpre compromissos, mesmo quando o corpo está pedindo uma pausa, e esse esforço cria a impressão de que está tudo bem.
Não está, e o problema não é a falta de credibilidade dos outros, é que, ao longo do caminho, você também aprendeu a ignorar seus próprios limites para não decepcionar ninguém.
E a crise vem justamente depois disso, quando você ultrapassa aquilo que seu corpo avisou que não dava mais.
Dor crônica não segue a lógica da dor aguda, ela oscila, engana, dá dias leves, e nesses dias você tenta viver o que ficou acumulado. Depois, ela volta mais forte.
Por isso, o caminho não é convencer familiares ou amigos, é mapear a sua dor, o que piora, o que melhora, o que dispara crise, o que traz alívio, qual é o seu limite real, não o que você gostaria de ter.
Compreender a sua dor é o primeiro passo clínico e emocional para tratá-la. Respeitar limites é escolher viver com menos sofrimento e mais consciência.
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Alguém precisa ler isso hoje.
Dr Felipe Leão
Vitória da Conquista - Bahia