10/05/2026
A primeira vez que eu vim na Índia, uma pessoa limitada me perguntou se eu estava pagando penitência. Mas eu gosto desse lugar, gosto da energia que existe aqui. Tem algo diferente. Aqui tudo parece sagrado: a comida, entrar numa loja, comprar uma roupa — você recebe uma bênção, um gesto, um olhar. Existe um caos organizado que, de algum jeito, faz sentido dentro da própria intensidade da Índia.
Essa semana de curso foi bastante intensa. Ficamos sem telefone, completamente desconectados. A comida é muito diferente, a rotina também. Começávamos às cinco da manhã e terminávamos às nove da noite. Foi cansativo, profundo, transformador. E hoje, domingo, tivemos um dia de folga — quase como um respiro depois de mergulhar muitos dias seguidos em outra realidade.
E talvez seja isso que muita gente não entende sobre a Índia. Alguns olham apenas para o desconforto e pensam em sacrifício. Mas existe outra camada acontecendo aqui. A Índia não separa a vida comum da espiritualidade. O sagrado aparece nas pequenas coisas, nos detalhes, nos rituais simples do cotidiano. É um lugar intenso, contraditório, às vezes exaustivo… mas muito vivo. E quando você se abre para essa experiência, percebe que não é sobre penitência. É sobre presença, transformação e conexão com algo maior.