11/10/2025
A Criança que ainda mora em mim
O tempo passa, mas ela nunca vai embora, apenas aprende a
Dia das Crianças. E, inevitavelmente, algo dentro de mim desperta. Não falo apenas de lembranças bonitas, dos brinquedos espalhados pela sala ou das risadas que enchiam as tardes. Falo daquela parte de mim que ainda vive aqui dentro, que nunca cresceu completamente. A criança que, mesmo adulta, insiste em existir. Às vezes nos meus sonhos, às vezes nas minhas teimosias, às vezes no medo de ser rejeitado. Ela está em cada pedaço do que sou hoje.
Carrego comigo não apenas memórias, mas marcas. As feridas, as ausências, os abraços que faltaram ou sobraram, tudo isso moldou o adulto que me tornei. E quando paro para olhar com honestidade, percebo que muitas das minhas escolhas têm as digitais dessa criança. Quando faço “birra”, quando fujo de conversas difíceis, quando quero tudo do meu jeito… é ela quem está no comando. Não por maldade, mas porque ainda precisa ser ouvida.
Talvez esse seja o maior desafio de crescer: não calar a criança interior, mas aprender a dialogar com ela. Perguntar o que dói, o que falta, o que ainda teme. Muitas vezes, o que chamamos de imaturidade não é fraqueza, é um pedido de atenção que ficou esquecido lá atrás. É um coração pequeno batendo dentro de um corpo adulto, querendo ser acolhido e entendido.
A infância, afinal, é a parte mais pura da nossa história. É onde nasce nossa capacidade de sonhar, de se encantar com o simples, de acreditar no impossível. É também onde deixamos pedaços de nós que, se não revisitados, crescem como raízes silenciosas e nos prendem sem que percebamos. Olhar para dentro com carinho e coragem é a forma mais bonita de continuar crescendo.
Neste Dia das Crianças, meu convite é esse: encontre a sua. Sente-se com ela, ouça o que tem a dizer. Talvez você descubra que muitas respostas que procura na vida adulta estão escondidas naquele olhar inocente que um dia foi seu. E, quem sabe, ao fazer as pazes com essa criança, você consiga não apenas curá-la, mas também libertar a melhor versão de quem sempre foi.
Texto escrito por Everton Mendes de Souza