24/10/2021
O evangelho é um caminho de autoconhecimento.
Hoje, ao perguntar a Bartimeu o que ele gostaria de receber, Jesus nos ensina a saber distinguir o essencial do secundário.
Bartimeu era cego. Parece-nos óbvio que ele quisesse enxergar. Mesmo assim, Jesus fez questão de fazer a pergunta.
Durante anos aquele homem permaneceu à beira do caminho, dependendo do auxílio dos outros. Pode ser que ele estivesse perfeitamente adaptado àquela dependência. Acontece. Há pessoas que não querem o remédio, pois preferem a enfermidade.
E se Bartimeu estivesse querendo um pedaço de pão, ou um manto novo?
Não, Bartimeu já estava pronto para o essencial. Ele queria vida nova, ele queria autonomia, ele queria viver por si mesmo.
Nem sempre estamos prontos para as mudanças que precisamos viver. Porque não queremos o desconforto dos enfrentamentos, passamos a nos adaptar ao sofrimento que nos mata aos poucos. A cegueira emocional nos faz pedir o que queremos, ainda que o que queremos não seja o que precisamos.
Por sermos tão estranhos a nós mesmos, ficamos incapazes de identificar as nossas reais necessidades.
O aforismo atribuído a Sócrates, filósofo grego, “conhece a ti mesmo”, ajuda-nos a entender a proposta de Jesus.
O primeiro passo de toda conversão é o esclarecimento.
Só podemos desfrutar de uma espiritualidade fecunda, livre de alienações, quando nos dispomos a saber quem realmente somos e o que realmente precisamos viver.
Não percamos tempo. Precisamos sarar a cegueira de nossa alma.
Que o medo não assuma as rédeas de nossos comandos. Deus já deixou em cada um de nós a coragem necessária de cada dia.
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