06/08/2021
Os primeiros dias após o nascimento do bebê, são desafiadores, e pode ser onde mora o perigo para uma mãe desinformada. Explico.
No início as mamas produzem o colostro, um líquido transparente, mais rico e proteínas e imunoglobulinas, e que vem em gotinhas nos primeiros dias...Mas o tamanho do estômago do bebê é também pequeno (do tamanho de uma acerola), sendo o colostro suficiente para as necessidades do bebê. E o problema é quando por algum motivo acham que o bebê chora de fome e sugerem dar um pouco de fórmula.
E aí que mora o perigo…
Geralmente também oferecem a fórmula logo numa mamadeira( que faz confusão de bico, não importando o modelo ou marca), e o bebê vai tomando de gole em gole rapidinho...toma 30ml, e aí continua com reflexo de procura e sucção, então acham que ele quer mais, então esse volume vai só aumentando...de forma que um bebê que mamaria cerca de 15 ml ao seio, toma fácil 90 ml na mamadeira.
E além de tomar um volume maior a fórmula é mais lentamente digerida, então o bebê dorme por horas...e a mãe pensa "nossa, era fome mesmo! meu leite não tá sustentando!".
E continua oferecendo fórmula e reduzindo as ma**das ao seio. O sábio organismo materno entende,"não tem bebê mamando, não precisa produzir tanto leite"..e aí sim a produção de leite materno diminui. E o bebê passa a mamar cada vez mais fórmula e menos leite materno, formando um ciclo vicioso: introdução de fórmula sem indicação-> bebê estômago cheio -> não mama ao seio - > falta de estimulo ao seio diminui produção de leite- > bebê mama mais fórmula. Levando por fim ao desmame precoce.
Existem vários fatores a serem avaliados no bebê para indicar introdução de fórmula, tais como ganho de peso, eliminações fisiológicas, avaliação da ma**da, tempo entre as ma**das, hidratação. E quando realmente indicada ( sendo poucos os casos) a fórmula vai ajudar muito.
Por isso é tão importante passar por avaliação de um profissional, para que avalie a real necessidade de fórmula.
Sei que todos em volta só querem ajudar, mas essa decisão não deve ser tomada sem avaliação médica.
Dra Taísa Machado Rodrigues da Cunha
CRM: 25647/ RQE: 13662