31/03/2026
Tem coisas que a gente tenta não ver.
Evita, empurra, silencia… como se, assim, deixassem de existir.
Mas não deixam.
Na clínica, isso aparece com frequência:
o que é evitado não desaparece — se transforma.
Às vezes em ansiedade, irritação, cansaço sem nome…
às vezes no corpo.
Do ponto de vista psicológico, essa “fuga” não é fraqueza.
É uma tentativa de proteção.
O psiquismo tenta aliviar aquilo que ainda não conseguimos sustentar.
Mas o alívio é temporário.
Porque o desconforto também comunica.
A dor psíquica, muitas vezes, aponta para conflitos internos, medos ou desejos que ainda não ganharam espaço de escuta.
E é aí que algo importante acontece:
Quando conseguimos olhar — com cuidado, no nosso tempo —
o que antes evitávamos, algo se reorganiza por dentro.
Ganhamos consciência.
E, pouco a pouco, menos medo.
Amadurecer não é não sentir.
É conseguir sustentar o que se sente, com mais presença e menos fuga.