01/03/2019
Hoje vamos compreender como a Neurose tem a ver com a inibição – ou recalque, como diria Freud – de nossos desejos.
Imaginemos Isabela, uma menina de 7 anos com seus cabelos louros cacheados e sapatilhas rosa. Seu pai trabalha bastante e, quando está em casa, lê o jornal para manter-se informado sobre o mundo, então não tem muito tempo livre. A pequena Isabela faz um desenho com seus lápis coloridos e, quando termina, deseja ser reconhecida através de sua obra, então corre saltitante para mostrá-la ao seu pai: "- Papai, papai! Olha o desenho que eu fiz!" Sem tirar os olhos do jornal, seu pai responde "- Agora não Isabela, estou ocupado".
Podemos imaginar que nossa mocinha voltou para seu quarto desanimada com a reação desatenciosa do pai, certo? Percebemos aqui que a realização de um desejo foi frustrada;
É claro que uma única experiência de frustração não seria suficiente para o estabelecimento de uma neurose. Agora, o que aconteceria se Isabela sempre se deparasse com esta falta de reconhecimento de seu pai? E se sua mãe também não lhe reconhecesse adequadamente? Como ela lidaria com este desejo?
Isabela poderia começar a evitar expressar este desejo, para não sofrer frustrações. Se evitar este desejo ocorresse sucessivas vezes, isto iria virar um hábito; Chamamos de hábitos os atos que fazemos ‘no automático’. Assim, caso Isabela se acostumasse a inibir este desejo, com o tempo não iria mais percebê-lo. Uma vez que este desejo fosse inibido, Isabela deixaria de vivenciá-lo de forma integral.
Contudo, o desejo não deixou de existir, apenas foi inibido. E como os desejos funcionam como uma orientação para nossas ações, durante sua vida, toda vez que Isabela se deparasse com alguma situação parecida, onde criasse algo e naturalmente sentiria o desejo do reconhecimento, nossa mocinha sentiria ansiedade. A Ansiedade é um indicativo que existe uma situação na atualidade que convida a realização de um desejo, mas este não se encontra disponível. Eis aqui uma Neurose.
Compreendemos aqui que a Neurose é mecanismo de defesa que exerce uma função de proteger o indivíduo contra frustração, mas quando perpetuada durante a vida, reduz sua capacidade de sentir satisfação.
Assim como Isabela, você pode ter vivido no passado frustrações que fizeram com que se inibisse; Fazer isto pode ter sido necessário a época. Mas se ocorreu, provavelmente hoje sente frustração ou ansiedade em algumas situações. Caso você se sinta assim, a psicoterapia pode ser para você. Nós psicólogos somos especialistas nisto, marque uma consulta!
Diego Ronsom é psicólogo e Gestalt-terapeuta, especializado em atendimento para adultos.
CRP 12/10.136
Telefone: (49) 99995-9871
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