17/10/2025
Excelente texto, obrigada Ana Laura🥰boa leitura a todos 👏👏👏
"Penso que a ética da psicanálise estaria mais do lado de pensar o autismo enquanto uma condição de diferença que se situa no campo da relação com o mundo e com o outro, neste sentido podendo ser tomada como uma “deficiência psicossocial”, em lugar de ser tomada como uma condição a ser curada, sendo que os autistas que conseguem tomar a palavra, propõe o autismo como uma forma de existir.
Associo aqui as palavras de Ilana Katz (2025) que afirma que “uma clínica anticapacitista começa com o enunciado do sujeito sobre si, acolhe sua relação com o que é identitário, procura sua enunciação, seu modo de dizer” (p.144). E penso que respeitar uma posição que afirma uma identidade na deficiência e trabalhar a partir disso é assumir uma posição ética que é também política.
Uma clínica psicanalítica capaz de escutar sujeitos minorizados, sejam eles autistas, deficientes, ou representantes de outros grupos com histórico de exclusão e opressão, não deve se fechar em si mesma e precisa também reconhecer que nosso inconsciente, material principal de nossa formação, é atravessado por nossa própria inscrição social e nossa teoria.
Como lembra Carla Vasques: reconhecer que o inconsciente não está à margem das normas sociais — se constitui por meio de regimes de exclusão, inteligibilidade e hierarquias de valor — implica admitir que o capacitismo opera de modo estrutural na constituição da subjetividade moderna. Tal qual raça e gênero, a deficiência imprime marcas psíquicas e institucionais e sermos psicanalistas não nos blinda contra as construções sociais e as estruturas de pensamento."
📝 Sobre a autora: Ana Laura Giongo é psicanalista, membro da APPOA.
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