19/08/2021
A Terapia de Casal.
Thales de Oliveira Abreu
Essa modalidade aparece comumente com base na teoria sistêmica relacional, ou seja, em sistemas compostos por pessoas (empresas, escolas, famílias) trabalha as demandas conjugais em queixas diversas advindas de ordem orgânica, ciclo vital, crises vitais, faltas de comunicação ou ainda sobre o equívoco contado pela Marilia Mendonça: “ Me apaixonei pelo que inventei de você”.
Nas palavras de Machado (2011) um casal sempre chega a psicoterapia com demandas bastante individuais, tendendo a culpar o externo ou o seu parceiro por aquilo que os aflige, mas a terapia começa de verdade no momento em que acende na sessão a QUEIXA COMPARTILHADA, e é aí que essa dupla passa a remar para o mesmo lado.
Com modelos bastante parecidos com a clínica individual tradicional, aqui o paciente é o casal. É preciso que haja um contrato bem estabelecido e claro, na comunicação, no funcionamento das sessões e no pagamento; bem como a necessidade da comunicação individual desses pacientes com o terapeuta uma vez que, fantasias importante e decisivas podem aparecer caso um dos cônjuges se sinta “traído” em psicoterapia e reforçando questões que podem sabotar o tratamento, logo é de suma importância que o diálogo aconteça de preferência, terapeuta-casal.
Embora aqui o enfoque seja na comunhão e melhor comunicação dos objetivos do casal, é imprescindível que não deixe passar as vivências pregressas individuais de cada um. Como cada um entende afeto, os modelos de casamento e contratos de relação nos quais se inspirou durante a vida. Ninguém consegue reproduzir algo diferente do que aprendeu, e na maioria das vezes isso explica muita coisa (Siegel,2005). O respeito de limitações, necessidades e simbologias de cada um, cria limites positivos onde, sob perspectivas afastando-se e aproximando na medida certa, cria-se um harmonioso modelo de convívio da dupla quando eles desejam se acertar, afinal não é raro, haver em muitos pedidos de socorro na clinica para casais, o implícito auxilio do descolamento: alguns casais perdidos e confusos escondem em seus relatos e comportamentos o dilema: “ qual a melhor forma de acabar com isso sem doer muito?” Cabe a nós psicólogos e psicoterapeutas guiar esses dois num doloroso e libertador labirinto de descobertas e aceitação;
A sinceridade e o lugar imparcial do psicólogo são fundamentais, a acolhida e o não julgamento são decisivos para um tratamento ef**az. Ás vezes há traição, machismo, personalidades complicadas ou ambições muito individuais nesse contrato e embora queixoso esse casal não quer ser julgado ou apontado de forma hostil, ali é principalmente um lugar seguro e amplo de exposição delicada e precisa ser minimamente confortável, é onde o ego se despe e as feridas narcísicas aparecem, todo cuidado é pouco. Cabe ao terapeuta psicoeducar o par a cuidar ao se aproximar dessas feridas e exposições. Parto do princípio de que a neutralidade terapêutica é uma ideia perigosa: a clínica é política, social, e justa, senão os amores às verdades cairiam por terra, e sendo assim, qualquer tipo de agressão ou abuso não devem ser tolerados. Foge aos princípios de ética e sigilo.
Não tem idade, não tem número de envolvidos estabelecido, não existe um modelo certo de casal ou família. Nem sempre tudo melhora e em alguns casos, um corte adequado e saudável requer acontecer e não é fácil, mas a psicoterapia precisa dar conta. O segredo está no entendimento e compreensão das dinâmicas e funcionamentos desse contrato afetivo.
Gonzalez Ríos (1994) trazia o conceito de Barreiras rígidas ou difusas que nada mais é na capacidade do casal ou de cada um estabelecer os limites e consequentemente a distribuições dos papeis dentro da família nuclear ou extensa. Ao olhar para as barreiras necessárias em qualquer relação, nomeá-las, olhar e aceitar as vulnerabilidades e os pontos fortes desse casal e desses sujeitos; facilitar e passar a limpo a comunicação; e pontuar a linha do tempo vital onde se encontram, ajudamos a desvendar os mistérios de estar e permanecer juntos, relembra ou desvendar o que os mantém unidos, priorizando amor, respeito, validação das dificuldades, e as verdades sobre até onde o romantismo é saudável e em que lugar um casal se reconhece e se aceita. Pronto para seguir.